15º Congresso Brasileiro de Adolescência acontece em SP

12 de abril de 2019 Eventos
15º Congresso Brasileiro de Adolescência acontece em SP

15º Congresso Brasileiro de Adolescência em SP: Mudaram eles ou mudamos nós?”

 

Que problemas enfrentam hoje os 60 milhões de adolescentes brasileiros – em termos de saúde, sexualidade, inclusão social, bullying, drogas, suicídio e homicídios como o da escola de Suzano? A realidade dessa faixa etária, que representa 29% da população do país, e as soluções em estudo serão debatidas por 400 especialistas no 15º Congresso Brasileiro de Adolescência, que será realizado de 23 a 25 de maio em São Paulo. Convidados de Portugal, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Peru, Colômbia, Costa Rica e Honduras também virão compartilhar suas experiências.

 

Sob a coordenação da pediatra Maria Sylvia de Souza Vitalle, chefe do Setor de Medicina do Adolescente da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e professora do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina, o Congresso trará as mais recentes produções científicas e pesquisas clínicas que estão sendo realizadas sobre a adolescência. No Brasil, é considerado adolescente quem tem de 12 a 18 anos completos, segundo Estatuto da Criança e do Adolescente. “Este é um evento pensado para ajudar a fortalecer o intercâmbio científico entre os profissionais e pesquisadores da área, com base nas melhores evidências médicas e de saúde disponíveis atualmente”, reforça a especialista.

 

Médicos de adolescente com titulação específica ainda são poucos no Brasil – perto de 300 – e o Congresso, que acontece de dois em dois anos, também estimula a ampliação da categoria, realizando durante o evento o concurso para obtenção de Título na habilitação em Medicina do Adolescente. Maria Sylvia, que também é vice coordenadora do programa de pós-graduação em Educação e Saúde na Infância e Adolescência da UNIFESP e presidente do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), revela que esse perfil científico vem despertando cada vez mais a atenção da classe médica e deve marcar a volta do Congresso a São Paulo, 30 anos depois da primeira edição.

 

“Em tempos de solidão e depressão em adolescentes, do excesso de vida virtual na internet, do acirramento da violência contra os que se descobrem homossexuais e do bullyingnas escolas, que vem gerando tragédias como a de Suzano (SP) – a discussão sobre o mundo real da adolescência no país é urgente”, alerta a pediatra, citando como agravantes ainda o consumo e tráfico de drogas e o número alarmante de assassinatos de jovens em decorrência deles.

 

Com o tema central Adolescente do século XXI: Mudaram eles ou mudamos nós?”, o Congresso vai discutir, além das questões mais comuns e relevantes para quem atua com o adolescente no dia a dia, também as emergentes ou negligenciadas no atendimento e acompanhamento dessa população. Programação oferece palestras e debates sobre temas que vão da nutrição e princípios éticos e questões controversas nas consultas médicas com adolescentes até os índices de mortalidade e transtornos como anorexia e bulimia. Passando por autolesões, piercings, tatoose marcas corporais, o uso de maconha medicinal e de drogas lícitas e ilícitas, sexualidade e questões de gênero, gravidez precoce e anticoncepcional. Também estão na pauta a inclusão social de adolescentes com deficiência, os riscos da vida nas ruas e o preconceito enfrentado por jovens imigrantes e refugiados no Brasil. Além, é claro, dos impactos da internet e da cultura digital sobre os adolescentes.

 

A 15ª edição do evento ainda será multidisciplinar, buscando “conversar” também com todos os atores que desenvolvem ações para este ciclo de vida. Além dos pediatras, foram integrados aos debates estudantes e profissionais da enfermagem, pedagogos, psicólogos, dentistas, professores de educação física, fisioterapeutas e advogados. Junto com entidades como a ONG Mães pela Diversidade, que atua nacionalmente como rede de apoio para jovens LGBTs e participará de uma roda de conversa.

 

OPAS/OMS na abertura

 

A assessora regional de Saúde do Adolescente da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Sonja Caffe, abrirá as palestras no dia 23, junto com Maria Sylvia. A OPAS, que é vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgou no início de março o documento Implementation of the Regional Strategy and Plan of Action on Adolescent and Youth Health 2010-2018, que analisa os dados mais recentes sobre a saúde dos jovens em 48 países e territórios das Américas, incluindo o Brasil. A conclusão do documento é alarmante: as três principais causas de morte entre eles não têm vínculo com questões de saúde. São homicídios (24%), acidentes de trânsito (20%) e suicídio (7%). Mais de 45 mil jovens entre 15 e 24 anos são assassinados por ano nas Américas, 30 mil morrem no trânsito e 12 mil tiram a própria vida.

 

Sonja vem falar sobre esse cenário e também apresentar no Congresso a Ação Acelerada Multissetorial para a Saúde dos Adolescentes (AA-HA!), mais recente programa da OPAS e que abrangea saúde dos adolescentes em três níveis: na própria adolescência, na vida adulta e nas próximas gerações.

 

Segundo Maria Sylvia, é uma oportunidade diferenciada para todos que atuam na área. “Vamos reunir e acessar aos profissionais brasileiros o que há de melhor e mais recente na atenção integral ao adolescente, partindo de ações projetadas para fortalecer também a família e o meio em que eles vivem, pois somos todos produtos de nosso processo sócio-histórico-cultural”, ressalta. “Com isso, estaremos refletindo aos participantes e à sociedade que esta parcela da população é parte atuante da solução dos problemas – e não mais um problema para os adultos”.

 

SERVIÇO
Evento: 15º Congresso Brasileiro de Adolescência
Data:23 a 25 de maio
Local: Universidade Anhembi Morumbi – Campus Vila Olímpia
Endereço: Rua Casa do Ator, 275 / Bairro Vila Olímpia – São Paulo/SP

Clique aqui para acessar a programação completa do 15º Congresso Brasileiro de Adolescência


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