1968: Meio Século Depois

1968: Meio Século Depois 

Seminário reúne nomes como José Celso Martinez Corrêa, Helena Ignez, Zuenir Ventura, Cecília Boal, Walnice Nogueira Galvão, entre outros, para apresentarem suas visões sobre o ano de 1968.

Efemérides constituem uma excelente oportunidade para refletir não apenas sobre o que representou um determinado evento histórico, mas principalmente reatualizar periodicamente o seu significado, tendo em vista novas leituras e estudos que surgem em novos contextos sócio-político-culturais. Como maio de 1968 é analisado pelo filtro de 2018?

No Seminário 1968: meio século depois, que o Centro de Pesquisa e Formação do Sesc realiza de 7 a 9 de maio, acadêmicos que estudaram e artistas que viveram intensamente o período trarão suas múltiplas visões sobre um fenômeno que não nasce em 1968 e definitivamente não morre naquele ano, mas que, por razões históricas, consagrou 1968 no imaginário daquela geração e das que a sucederam, convertendo-o em um paradigma de rupturas políticas, sociais e culturais.

Entre os convidados estão o ator e diretor José Celso Martinez Corrêa, a atriz e diretora, Helena Ignez, o escritor e jornalistaZuenir Ventura, os professores Walnice Nogueira GalvãoLeonardo Esteves, Adriane Vidal, Renato Luiz Sobral Anelli, Olgaria Mattos e Evelina Hoisel, a arquiteta e urbanista Fernanda Barbara, a curadora Fernanda Pequeno, o artista plásticoJosé Resende, a psicanalista e atriz Cecilia Thumim Boal, entre outros.

Paralelamente ao seminário, acontece uma mostra com filmes que retratam o clima contracultural dos anos 60 no Brasil e no exterior, como parte da programação do Cine Rodízio.

Confira:

1968: Meio Século Depois

De 7 a 8/5, segunda a terça, das 14h às 21h30. Dia 9/5, quarta, das 14h às 19h45. Preço: R$ 50,00 (inteira); R$ 25,00(aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública); R$ 15,00(trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).

 

DIA 7 DE MAIO.

Das 14h às 16h. A literatura de 1968.

A mesa abordará a produção literária de 1968,  tendo como foco a literatura pop, a partir da produção literária de José Agrippino de Paula; as relações entre cultura, mercado e consumo e o estatuto da literatura no Brasil daquela época; o ano de 1968 enquanto um divisor de águas na literatura brasileira, concernente não só à mensagem, mas também aos gêneros e às formas; as repercussões dos acontecimentos de 1968 na literatura latino-americana, com enfoque na construção de uma memória histórica que vincula o testemunho com o ensaísmo, particularmente em textos produzidos pelos escritores Carlos Fuentes e Julio Cortázar.

Com Adriane Vidal, professora do Departamento de História da UFMG, coordenadora do Núcleo de Pesquisa em História das Américas e presidente da Associação Nacional de Pesquisadores e Professores de História das Américas (ANPHLAC).

Com Evelina Hoisel, professora titular de Teoria da Literatura da UFBA. Doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP. É presidente  da Academia de Letras da Bahia.

Com Walnice Nogueira Galvão, professora emérita da FFLCH-USP.

 

Das 16h30 às 18h30. A arquitetura de 1968

São objeto da mesa o impacto das grandes obras rodoviaristas feitas em São Paulo a partir do final dos anos 60, tendo como exemplos mais marcantes o Minhocão e as transformações do Parque Dom Pedro II; os impactos da ditadura (pós 1968) na cidade, em função da repressão violenta, como o caso da Faculdade de Filosofia da USP na Rua Maria Antônia; a identificação da expressão arquitetônica dos movimentos de contracultura do final da década de 1960 em várias propostas alternativas às correntes principais da arquitetura moderna brasileira: práticas hippies dos manuais “faça você mesmo”, busca por processos participativos de base popular, revisão do papel do arquiteto gênio criador; a arquitetura residencial de Vilanova Artigas; a casa como manifesto de uma época; a relação da arquitetura de Artigas com a arquitetura do período (Brasília em especial) e o contexto sociopolítico.

Com Ana Tagliari, doutorado na área de Projeto de Arquitetura pela FAU-USP. É docente e pesquisadora da Unicamp desde 2014. Autora do livro Vilanova Artigas. Projetos residenciais não construídos (2017).

Com Fernanda Barbara,  arquiteta e urbanista formada pela FAU-USP. É sócia fundadora do escritório Una Arquitetos. Atualmente desenvolve o projeto do Sesc Parque Dom Pedro II, em São Paulo e é professora da Escola da Cidade.

Com Renato Luiz Sobral Anelli, doutor em Arquitetura pela USP. Professor titular do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos e conselheiro do Instituto Bardi.

 

Das 19h30 às 21h30. As artes visuais de 1968

A mesa discutirá a Arte como laboratório das transformações sociais; as modificações ocorridas nas relações entre obra-espectador e entre artista-sociedade na segunda metade dos anos 1960, com foco no debate suscitado pela arte participativa; as exposições emblemáticas Opinião 65, Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira, realizadas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1965, 1966 e 1967, respectivamente; as iniciativas coletivas de críticos e de artistas, realizadas em 1968 ao ar livre e em espaço público, valorizando “o lado de fora do museu”, com foco  nas exposições Arte no Aterro: um mês de arte pública e Apocalipopótese, realizadas no Aterro do Flamengo.

Com Fernanda Pequeno, curadora, coordenadora de exposições do Departamento Cultural da UERJ. Professora adjunta de História da Arte do Instituto de Artes da mesma universidade. Doutora em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ.

Com José Resende, artista plástico, cofundador do Grupo Rex e do Centro de Experimentação Artística Escola Brasil. Foi docente na ECA-USP, na FAAP, no Mackenzie e na Faculdade de Arquitetura da PUC de Campinas.

Com Maria de Fátima Morethy Couto, doutora em História da Arte pela Universidade de Paris I – Panthéon/Sorbonne. Professora Livre-Docente do Instituto de Artes da Unicamp.

 

DIA 8 DE MAIO.

Das 14h às 16h. O cinema de 1968

A mesa tem como objetivo debater o diálogo do cinema brasileiro de 1968 com inovações surgidas na cultura em 1967 – Terra em transe, a instalação Tropicália, de Hélio Oiticica, O Rei da Vela (Oficina), a ruptura de Caetano e Gil no Festival da Canção; o surgimento de uma nova geração de cineastas como Rogério Sganzerla, Júlio Bressane, e Andrea Tonacci, entre outros, que marcam o avanço rumo ao Cinema de Invenção; o impacto das manifestações do maio de 68 sobre o cinema francês; as movimentações que implicaram no desenvolvimento de novas formas de produção; as rupturas estéticas que nortearam uma verdadeira insurgência do cinema; a experiência militante encampada também pela crítica.

Com Helena Ignez, atriz e diretora.

Com Ismail Xavier, doutor em Teoria Literária na FFLCH-USP e PhD em Cinema Studies pela Universidade de Nova York. Professor da ECA-USP desde 1971.

Com Leonardo Esteves, professor do curso de Cinema e Audiovisual da UFMT. Doutor em Comunicação Social pela PUC-Rio com período sanduíche na Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3 (bolsa CAPES).

 

Das 16h30 às 18h30. O teatro de 1968.

A mesa discutirá algumas manifestações do teatro brasileiro no ano de 1968, com o intuito de observar a existência de propostas diferenciadas em estilos e em concepções políticas e culturais; alguns modos de elaboração artística utilizados pelo dramaturgo Plínio Marcos que permitem fazer uma reflexão acerca da memória do período ditatorial brasileiro pós-1964, tendo como ponto de partida a matéria ficcional; a dramaturgia do Teatro de Arena e a Feira Paulista de Opinião.

Com Cecilia Thumim Boal, psicanalista, atriz e diretora do Instituto Augusto Boal, dedicado a difundir e preservar a obra do dramaturgo.

Com Rosangela Patriota, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Professora titular aposentada da Universidade Federal de Uberlândia e membro do corpo permanente do Programa de Pós-Graduação em História.

Com Wagner Corsino Enedino, doutorado em Letras pela UNESP – Campus de São José do Rio Preto e Pós-Doutorado pela UNICAMP. É Professor Associado da UFMS e atua no PPG-Letras (Nível de Mestrado e Doutorado).

 

Das 19h30 às 21h30. A música de 1968.

A mesa trará um balanço das lutas culturais e da arte engajada ao longo do ano de 1968, em conexão com os acontecimentos políticos que abalaram o Brasil e o mundo; os aspectos de tradição e de ruptura que pautaram os debates culturais, estéticos e ideológicos da cena brasileira; o outro lado da história da MPB; a emergência de uma geração de cantores-compositores, hoje chamados bregas, que, a partir de 1968, perturbou o padrão estético de críticos e intelectuais e atraiu a repressão da ditadura militar; a relação do movimento estudantil com a canção engajada na América Latina, em especial a chilena.

Com Marcos Napolitano, doutor em História Social pela USP. Atualmente, é professor de História do Brasil Independente e docente-orientador no Programa de História Social da USP.

Com Natália Ayo Schmiedecke, doutora em História pela UNESP-Franca. Autora do livro Não há revolução sem canções (2015), entre outros trabalhos acadêmicos centrados na história e na música chilena.

Com Paulo Cesar de Araújo, historiador e jornalista. Autor, entre outros, da biografia “Roberto Carlos em detalhes” (2006), e do livro “Eu não sou cachorro, não – música popular cafona e ditadura militar” (2002).

 

DIA 9 DE MAIO.

Das 14h às 16h. A revolução de 1968

A mesa abordará a revolução de 68 enquanto momento la boétiano da política francesa; o aspecto erótico, poético e lúdico de 1968, mais próximo do satanismo baudelairiano que do comunismo de Marx e da tradição dos intelectuais franceses que se colocavam a serviço dos operários e do “povo”, através do Partido Comunista; o movimento estudantil de 1968 no México, suas relações com o contexto internacional e regional e seu impacto na sociedade e política mexicana; as estratégias repressivas do Estado e o massacre de Tlatelolco de 02 de outubro; as políticas de rememoração que ocorreram no espaço público nas últimas décadas; o questionamento da visão eurocêntrica de 1968; 1968 em países asiáticos, latino-americanos e africanos.

Com Larissa Riberti, doutora em História Social pela UFRJ, tendo realizado doutorado sanduíche na Universidad Nacional Autónoma de México. Atualmente é pós-doutoranda em História na UFSC.

Com Olgária Matos, professora titular do Departamento de Filosofia da FFLCH-USP e professora titular do Departamento de Filosofia da EFLCH da Unifesp.

Com Osvaldo Coggiola, doutor em História Comparada das Sociedades Contemporâneas pela École des Hautes Études en Sciences Sociales. Professor titular de História Contemporânea e Chefe do Departamento de História da USP.

 

Das 16h30 às 18h30. O legado de 1968.

A mesa tratará dos anos 60 e os embates entre paradigmas de mudança social; o paradigma da luta armada pela tomada do poder (lutas de libertação nacional, propostas de enfrentamentos violentos) e o paradigma das revoluções moleculares apoiadas na mudança das consciências (movimentos de gênero e de identidade étnica, questionamento das hierarquias, novos comportamentos sociais e experimentações com substâncias alucinógenas); a questão democrática; os mundos capitalista e socialista de ponta cabeça; a reação conservadora; forças frias e quentes em combates políticos e militares; controvérsias e legados de um ano que permanece formulando desafios; a fixação em 1968, meio século depois, a ponto de ele não parecer um ano, mas uma personagem inesquecível que teima em não sair de cena.

Com Daniel Aarão Reis, doutor em História Social pela USP. É professor titular de História Contemporânea da UFF e Pesquisador 1A do CNPq.

Com Zuenir Ventura, escritor e jornalista. Autor de 1968 – o ano que não terminou (1989), que serviu de inspiração para a minissérie Anos rebeldes, de Gilberto Braga, e para o filme O homem que disse não, do cineasta Olivier Horn.

Das 18h45 às 19h45. Depoimento do diretor, ator e dramaturgo José Celso Martinez Corrêa.

Cine Rodízio – Mostra 1968

Grátis – mediante inscrição.

7/5-Cinema Novo (Brasil, 2016, 90 min.)

Um ensaio poético, um olhar aprofundado e um retrato íntimo sobre o Cinema Novo, movimento cinematográfico brasileiro que colocou o Brasil no mapa do cinema mundial, lançou grandes diretores (como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Cacá Diegues) e criou uma estética única, essencial e visceral que mudou a história do cinema e a história do Brasil para sempre.

14/5 -Violeta foi para o céu (Chile, França, Argentina, 2012, 110 min.)

Baseado no romance homônimo de Ángel Parra – filho de Violeta – “Violeta Foi Para o Céu” é o retrato da famosa pintora, escultora, poeta e cantora chilena Violeta Parra, considerada a fundadora da música popular chilena e mais importante folclorista do Chile, apresentando seus trabalhos, memórias, sentimentos, fragmentos de sua vida e amores.

21/5 – Tropicália (Brasil, 2012, 87 min.)

Um dos maiores movimentos artísticos do Brasil ganha vida nesse documentário. Numa época em que a liberdade de expressão perdia força, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Tom Zé, entre outros, misturaram desde velhas tradições populares a muitas das novidades artísticas ocorridas pelo mundo e criaram o Tropicalismo, abalando as estruturas da sociedade brasileira e influenciando a várias gerações.

28/5 – Viver é fácil com os olhos fechados (Espanha, 2015, 108 min.)

Em plena década de 60, Antonio (Javier Cámara), um modesto professor de inglês, é fã incondicional dos Beatles e sonha em conhecer seu ídolo, John Lennon. Para encontrar o seu “herói”, o professor viaja até Almeria e no meio do caminho esbarra com dois jovens: Belén (Natalia de Molina) e Juanjo (Francesc Colomer), um garoto de dezesseis que está fugindo do pai autoritário. O encontro faz a vida de cada um tomar rumos imprevisíveis.

 

SERVIÇO:

Recomendação etária: 16 anos. Número de vagas: 30.

Tradução em Libras disponível. Faça sua solicitação com no mínimo dois dias de antecedência da atividade através do e-mail centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br.

Informações e inscrições pelo site (sescsp.org.br/cpf) ou nas unidades do Sesc no Estado de São Paulo. Serviço de van até a estação de metrô Trianon-Masp, de segunda a sexta, às 21h30, 21h45 e 22h05, para participantes das atividades.

 

CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO DO SESC

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar.

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 22h. Sábados, das 9h30 18h30. Tel: 3254-5600.

 

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