Brasília recebe exposição do acervo da Fundação Iberê Camargo

TCU recebe recorte ficcional da obra de Iberê Camargo

A Galeria Espaço Cultural Marcantonio Vilaça, em Brasília, receberá, a partir de 09 de outubro, a mostra Iberê Camargo: No Drama.

“Tudo te é Falso e Inútil”, obra de Iberê Camargo na exposição No Drama – foto: Rômmulo Fialdini

A exposição revela uma face pouco conhecida de um dos maiores artistas brasileiros do século 20: seus trabalhos inspirados na literatura, no teatro, na dança, na música e no cinema. A exposição é uma realização do Tribunal de Contas da União (TCU) em parceria com o Departamento Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI).

Em No Drama, as peças de Iberê Camargo demonstram o dinamismo de um artista que fazia de suas sessões de pintura momentos de criação reveladores de uma alma curiosa, ruidosa, atenta e sofrida.

De 9 de outubro a primeiro de dezembro, o público poderá ver telas, guaches e estudos do artista que fazem parte do acervo da Fundação Iberê Camargo. A mostra também inclui dois curtas metragens e um documentário.

Também fazem parte da exposição uma série de desenhos, estudos de figurinos e cenários para um projeto de encenação do balé “Rudá”, de Heitor Villa-Lobos, produzidos em 1959. A exposição contará também com uma sessão interativa feita a partir de 8 painéis confeccionados em 1960, da lenda “Salamanca do Jarau”, e presenteados por ele a Luiz Aranha, amigo e mecenas do início de sua carreira artística.

Com curadoria de Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai, “No Drama” traz ainda uma importante série de obras da fase final da carreira de Iberê Camargo. No ano de 1992, ele participou das gravações do curta-metragem “Presságio”, de Renato Falcão. Em uma das cenas, o artista desenha um dos personagens. A filmagem deu origem a uma série de guaches que foram doados por Iberê Camargo em prol da campanha de conscientização sobre a AIDS chamada “Um ato de amor pela vida”.

Além de “Presságio”, outro curta-metragem presente na exposição é “Pintura Pintura”, do fotógrafo Mario Carneiro, que registra um depoimento de Iberê enquanto pinta um retrato.

Como parte das atividades paralelas à mostra, haverá exibição do documentário “Magma”, de Marta Biavaschi, realizado em 2014. O filme apresenta Iberê Camargo e faz reflexões sobre sua arte, vida e obra por meio de imagens e áudios de arquivo.

A realização da mostra Iberê Camargo: No Drama, em Brasília, é uma parceria firmada entre o TCU e o SESI, oferecendo à sociedade brasiliense oportunidades relevantes de acesso à cultura e ações educacionais comprometidas com a criatividade e a valorização da cidadania.

PROGRAMA EDUCATIVO

Durante o período de exposição de “Iberê Camargo: No Drama”, estudantes dos ensinos fundamental, médio e superior podem visitar a exposição por meio do programa educativo do TCU, que oferece visitas orientadas.

 

Serviço

Exposição “Iberê Camargo: No Drama”

Curadoria: Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai

Local: Galeria do Espaço Cultural Marcantonio Vilaça, no Centro Cultural TCU (St. de Clubes Esportivos Sul, Trecho 3) – Brasília DF

Período de exibição: De 09 de outubro a 1º de dezembro

Classificação indicativa: Livre

Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 09h às 18h e aos sábados, das 14h às 19h

Informações: 3316-5381

Agendamento: 3316-5221

Entrada gratuita

TCU: Espaço Cultural Marcantonio Vilaça e Museu do TCU Ministro Guido Mondin

O Espaço Cultural Marcantonio Vilaça integra as ações culturais do Instituto Serzedello Corrêa (ISC) – Escola Superior do Tribunal de Contas da União, que contam também com o Museu do TCU Ministro Guido Mondin. Atualmente, o Museu apresenta a exposição de longa duração “TCU – A Evolução do Controle”, que narra a trajetória e a evolução do controle dos gastos públicos desde o Século XIII, em Portugal, passando pela criação do Tribunal de Contas até os dias atuais. As ações culturais do TCU buscam promover a cidadania por meio do acesso à história, à arte e a outras manifestações culturais, além da aproximação entre a sociedade e o Tribunal de Contas da União.

 O artista

Iberê Camargo nasceu em Restinga Seca – RS, em 1914. Em 1927, iniciou seu aprendizado em pintura na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria. Em 1936, mudou-se para Porto Alegre, onde conheceu Maria Coussirat Camargo – então estudante do Instituto de Belas Artes. Casaram-se em 1939. Em 1942, ano de sua primeira exposição, o artista e sua esposa mudaram-se para o Rio de Janeiro. Lá, viveram por 40 anos.

Admirador e amigo de artistas brasileiros como Goeldi e Guignard, Iberê Camargo viajou para a Europa em 1948 em busca de aprimoramento técnico. De volta ao Brasil, em 1950, conquistou inúmeros prêmios e participou de diversas exposições internacionais. Foi no final dos anos 1950 que desenvolveu um dos temas mais recorrentes em sua pintura: os Carretéis.

Ao longo de toda sua produção, Iberê Camargo nunca se filiou a correntes ou movimentos. Em 1982, retornou a Porto Alegre, onde produziu duas de suas séries mais conhecidas: “Os Ciclistas” e “As Idiotas”.

Iberê Camargo faleceu em agosto de 1994, aos 79 anos, deixando uma produção de mais de 7 mil obras. Grande parte desse legado foi deixada a Maria, sua esposa e companheira, cuja coleção compõe hoje o acervo da Fundação Iberê Camargo.

Sobre os curadores

Eduardo Haesbaert (Faxinal do Soturno – RS, 1968) iniciou os estudos em artes plásticas na Escola ASPES, Santana do Livramento, em 1980. Em Porto Alegre, especializou-se na gravura em metal no Atelier Livre da Prefeitura, entre os anos de 1986 e 1989. Foi assistente de Iberê Camargo, trabalhando como técnico e impressor de suas gravuras entre 1990 e 1994. Atualmente é coordenador do ateliê de gravura da Fundação Iberê Camargo, onde desenvolve o “Programa Artista Convidado”, que acontece desde a criação da Fundação, em 1995. Mais de cem artistas brasileiros e estrangeiros – entre profissionais com trajetórias consolidadas e jovens expoentes da arte contemporânea –já passaram pelo Programa.

Ao longo de sua trajetória artística, recebeu os seguintes prêmios: VI Prêmio Açorianos de Artes Plásticas – Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre – Melhor Exposição Individual 2011 (Última Cena); menção honrosa no VI Salão de Pintura da Cidade de Porto Alegre (1995); Prêmio Especial do Júri pelo Conjunto da Obra no II Salão Victor Meirelles de Florianópolis (1994); Primeiro Prêmio no 16º Salão de Artes Plásticas da Associação Chico Lisboa (1993); Prêmio Secretaria da Cultura do Paraná no 49º Salão Paranaense, e Prêmio Brasília de Artes Plásticas no 12º Salão Nacional de Artes Plásticas (1992).

Gustavo Possamai é responsável pelo Acervo da Fundação Iberê Camargo, pela parceria com o “Google Art Project” e pelo Projeto Digitalização e Disponibilização dos Acervos que, em 2015, apresentou ao público o maior volume de documentos e de obras de Iberê Camargo já reunidos.

Graduado em Artes Visuais pela UFRGS (2009) e em Comunicação Social pela PUCRS (2003), foi pesquisador no Projeto de Catalogação da obra completa do artista Iberê Camargo; cocurador das exposições “Iberê Camargo: No Drama” e “Iberê Camargo: Sombras no Sol”, realizadas pela Fundação Iberê Camargo (ambas em 2017); assistente de curadoria e pesquisa para a exposição “O Triunfo do Contemporâneo – 20 Anos do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul”, Santander Cultural, Porto Alegre (2012); assistente de editoria do livro “Heloisa Schneiders da Silva – Obra e Escritos”, Museu de Arte do Rio Grande do Sul (2010); pesquisador no projeto “Dédale, uma filme-instalação do artista francês Pierre Coulibeuf”, comissionado pela Fundação Iberê Camargo (2009), entre outros.

Sobre a Fundação Iberê Camargo

A Fundação Iberê Camargo é uma instituição privada sem fins lucrativos, criada em 1995, em Porto Alegre/RS. Há 22 anos, a Fundação desenvolve ações culturais e educativas com a missão de preservar o acervo, promover o estudo, a divulgação da obra de Iberê Camargo e estimular a interação de seu público com arte, cultura e educação, por meio de programas interdisciplinares. Seu acervo é formado por um núcleo documental, composto de documentos e imagens relacionadas à vida e à obra do artista, e um núcleo com a coleção Maria Coussirat Camargo, que inclui pinturas, gravuras, guaches, desenhos e estudos de Iberê Camargo, obras que o casal acumulou durante a vida.

A sede da instituição, inaugurada em 2008, foi projetada pelo português Álvaro Siza, um dos arquitetos contemporâneos mais importantes do mundo. O projeto recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza (2002) e é mérito especial da Trienal de Design de Milão. Referência arquitetônica na cidade de Porto Alegre, o prédio possui salas expositivas, átrio, reserva técnica, centro de documentação e pesquisa, ateliê de gravura, ateliê do educativo, auditório, loja, cafeteria, estacionamento e parque ambiental projetado pela Fundação Gaia.

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