IGOR MARCHESI ATOR BRASILEIRO CONQUISTA PORTUGAL

Por: XANDY NOVASKI

Crédito das fotos:

Fotos 01, 02, 03, 04, 05, 07, 08 e 10: ARQUIVO PESSOAL

Foto 06: JOAQUIM PAULINO

Foto 09: JUVENAL CANDEIAS

Foto 11: LUCIA CAUS


Algum tempo após o término da novela ‘Fina Estampa’, exibida pela Rede Globo entre agosto de 2011 e março de 2012, o ator IGOR MARCHESI – que fez o anjo no folhetim de Aguinaldo Silva – viajou a Portugal contratado como apresentador para um projeto que duraria um tempo determinado. Entretanto, acabou ficando. Hoje, com duas novelas lusitanas no currículo, o aquariano de 30 anos que vive por lá há 03, segue de férias pela Grécia.

E foi de Mykonos, uma ilha grega, diante de um marzão de tirar o fôlego, que Igor nos concedeu a entrevista, onde nos contou o caminho percorrido até alcançar o sucesso merecido na Europa.

  • Como você e Portugal se descobriram?

Eu e Portugal temos uma história muito forte e linda. Fiz um teste para apresentar um programa que seria gravado num festival de música na Europa. Quando passei, então, falaram: “Esse país da Europa é Portugal.” Eu fiquei até triste porque na Europa tem tantos outros países que eu gostaria de conhecer. Mas fui. Durante os doze dias de gravação do programa eu vinha sentindo que o país tinha alguma coisa pra mim, e eu lutava contra isso, principalmente porque não conhecia ninguém. Procurei não dar ouvidos a essa intuição. Só que no último dia, quando cheguei ao aeroporto pra ir embora, eu não consegui me conter. Troquei minha passagem, dei um ‘tchau’ pra equipe inteira, saí do aeroporto e me perguntei: “Pra onde vou agora?” Fui para um hostel e à partir de então tudo deu certo, muito, muito certo na minha vida.

  • Como surgiu a oportunidade de um papel na novela lusitana Coração D’ouro?

A partir do momento em que eu decidi permanecer em Portugal fui atrás de uma amiga que me apresentou a uma agente. Passei no primeiro casting que participei, fiz algumas publicidades. Algum tempo depois outra amiga me chamou pra ir à casa de uma conhecida dela e lá conheci a diretora geral da emissora (SIC). Conversamos bastante, mas nada profissional demais. Num segundo encontro, que foi num jantar entre amigos, ela então disse que iria me dar a oportunidade de fazer um teste. Eu respondi: “É disso que eu preciso. Se for do meu merecimento, irei passar.”. Fiz o teste, passei e então entrei para a novela ‘Coração D’ouro’. Foi uma experiência inesquecível na minha vida. Abriu muitas portas e mudou tudo, sem dúvida nenhuma.

  • E quais foram essas mudanças que a novela trouxe em sua vida na Europa?

Eu me dediquei e aprendi muito. Muitas vezes não tinha tempo para os amigos, não conseguia falar com minha mãe por horas, como eu amo falar. Eu me internava dentro de casa, ligava uma música bem baixinha e estudava. O que eu fazia no estúdio não correspondia nem a 30% do que eu fazia em casa. O trabalho do ator, sobretudo, é o estudo. E é muito solitário, pois sou somente eu com aquela pilha de papéis, aprendendo, interpretando e crescendo.

  • A mudança para Portugal lhe trouxe quais outras oportunidades além do trabalho na televisão?

Eu tenho uma amiga que é cigana e ela um dia leu minha mão. Disse que eu teria duas grandes viradas na minha vida. A primeira foi minha ida para o Rio de Janeiro, e a segunda seria morar em Portugal. Minha vinda para a Europa me trouxe muitas oportunidades, principalmente pelo amadurecimento pessoal. Como eu estava sozinho num país em que eu não conhecia praticamente ninguém eu me tornei um ser humano melhor, eu me entendo muito mais hoje. Sou mais esforçado, pois não tenho a mamãe aqui. Bem, adoraria que tivesse uma mamãe pra me ajudar, mas ela me ajuda de outras formas, não monetária. O que mudou foi eu saber que ‘sou eu por mim’. Eu já vivia no Rio sozinho, mas acho que em Portugal foi muito mais intenso, pois eu estava em outro país na qual se fala praticamente outro idioma, e eu tive que aprender a ser forte, conquistar minhas coisas. Se eu não faço não ganho, se eu não ganho eu não vivo. É uma cobrança. Imagino aqueles que são pais de família que vivem isso diariamente. É bem complicado. Eu sou um cara forte, mais forte do que eu pensava. Eu tenho certeza de que levarei isso para o resto da minha vida. Tenho crescido muito e crescerei muito mais.

  • Você está de férias na Grécia. Fale um pouco sobre essa experiência.

Nesse momento em que respondo estou de frente para o mar olhando pra piscina da casa onde me hospedo, e ao longe tem um ferryboat passando. É o segundo ano que eu venho para a Grécia. Eu amo este país, amo essa ilha (Mikonos), na qual estou agora. Depois irei para outras ilhas também. A gente tem que se dar presentes. Eu trabalho e preciso viver, ser feliz. Ainda não tenho filhos, infelizmente, mas no dia em que eu tiver minhas prioridades mudarão um pouco. Viajando aprendo tanto sobre os outros e sobre mim, que essa está sendo minha prioridade agora. Trabalhar para viajar, ser feliz, curtir um pouco. Aluguei uma casa aqui em Mykonos com mais sete amigos. Vamos ficar por aqui durante uma semana. Depois eles irão embora e eu vou continuar a minha viagem, sozinho. Vai ser incrível também, já que irei para lugares dos quais nunca fui. Não há sensação melhor do que chegar num lugar em que você nem imagina pra qual lado é a praia.

  • Apesar do sucesso em Portugal você tem vontade de voltar a morar e atuar no Brasil?

Eu não meço meu trabalho pelo sucesso e sim pelo aprendizado que eu ganho. A grande felicidade minha é que tenho aprendido muito com esses dois trabalhos, e tenho crescido como pessoa, como ator e eu amo estar em Portugal. Mas eu acho que agora seja o momento de abrir mais os olhos e voltar a atuar no Brasil. Eu acho que irei aprender muito também. A minha medida é essa: aprendizado. Eu acho que já sou velho e com pouca experiência. Sei lá. Eu quero e preciso sempre aprender mais. Quanto mais eu aprendo, mais eu sei que quero aprender. Então é uma busca infinita, ou seja, continuarei com ela pra sempre. Os trabalhos que fiz em Portugal foram incríveis, maravilhosos e talvez agora seja o momento de eu passar uma temporada no Brasil, mesmo porque eu tenho muita saudade da minha família, dos meus amigos, da minha empresária, dos irmãos que ganhei no Rio de Janeiro. Eu já passei por coisas tão difíceis longe da minha família, longe da minha mãe, da minha tia que faleceu há dois anos, longe do meu primo que teve um câncer. Eu sofri tanto, quieto. Então, talvez seja esse o momento de eu estar mais perto da minha família e das pessoas que eu amo.

  • Quais são seus projetos para o segundo semestre deste ano?

Como na vida do ator a gente não pode fazer muitos planos porque é uma profissão muito instável, podem fazer uma proposta irrecusável ou eu posso ficar um ano sem trabalhar. É muito difícil ser ator. Eu adoraria ser médico, advogado, ter capacidade pra isso. Mas eu não tenho. Eu sou ator porque é o que eu amo, é o que eu sempre amei. Não tenho projetos fechados. O que eu tenho? Sonhos, possibilidades. E eu tenho a concretização disso que vai acontecer em breve. Eu não sei qual será, mas vai acontecer.

  • Faça um breve relato dos trabalhos mais significativos que você fez em Portugal.

Todos os trabalhos que fiz aqui foram de muita relevância para minha vida. O primeiro trabalho que fiz foi um comercial logo no primeiro teste que fiz em Portugal. Naquele momento eu não tinha dinheiro, nada. Passei, gravei o comercial e daí já sabia que teria dinheiro pra viver um tempo. Então veio a primeira novela, ‘Coração D’ouro’. Foi maravilhosa. Aprendi muito, conheci muita gente boa que admiro. Então fiquei um ano praticamente parado, não por querer, nem posso querer isso. Adoraria poder ficar um ano sabático por minha conta. E agora fiz ‘Ouro Verde’. Foi um aprendizado atrás do outro. Foi praticamente uma imersão na arte que mais amo na vida. É muito difícil ter estabilidade na carreira. E quando recebi o convite da Maria João eu não podia nem pensar em negar, pois foi um presente. E o personagem, o Marcelo Filardi, era uma pessoa tão distante do que eu sou, me fez crescer tanto como Igor, me fez perceber como ator as outras facetas das quais eu nunca havia percebido, feito ou tentado. O maior reconhecimento não é o salário no fim do mês, é o público na rua, são aquelas senhoras maravilhosas que vêm falar comigo, que me dão os parabéns, um abraço, um beijo. Seu eu ganhasse um prêmio talvez minha felicidade fosse menor do que receber o carinho do povo na rua. É difícil lutar por uma profissão, correr atrás, vencer barreiras, comodismo, seus dramas internos e etc e quando você recebe um presente desses que foi na última novela, você diz: “Meu Deus do céu, muito obrigado!” Você esquece tudo de ruim que você passou. E entende que é pra isso que a gente tá aqui.

  • Qual é o conselho que você daria para o artista que tem vontade de alcançar novos horizontes na Europa?

Não sou muito de dar conselhos, mas vamos lá: Portugal é um país maravilhoso, incrível, porém, um país pequeno. Se você não receber um retorno financeiro, como ser humano você irá receber. É um país que nos ensina muito, faz a gente entender quem somos. Isso é maravilhoso, mas não adianta vir somente sonhando. Você tem que ser realista, botar os pés no chão. E assim a vida é, pode ser em Portugal, no Rio, ou onde estiver. Você tem que estar ligado, acordado, correr atrás, batalhar. Acima de tudo batalhar, porque fácil não é. Quando eu cheguei aqui me disseram que seria impossível eu fazer uma novela porque o mercado português não aceitava atores brasileiros. Então eu disse: “Ah, impossível? Gostei dessa palavra!” Essa palavra é uma das que mais adoro derrubar. Então a derrubei mais uma vez. O impossível tornou-se possível. Eu acredito em meus sonhos, em tudo. Eu acho que todo mundo tem que fazer igual, acreditar em si, estudar, correr atrás, acreditar nos seus sonhos e pronto. Uma hora vai dar certo.


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