Intercâmbio possibilita aluna do Direito visitar dez países

11 de julho de 2019 Educação e Tecnologia
Intercâmbio possibilita aluna do Direito visitar dez países

Intercâmbio possibilita aluna do Direito visitar dez países

Além da permanência de cinco meses na Espanha, ela viajou de mochilão para outros nove destinos da Europa

Foto: Arquivo Pessoal

Fabiola em Consuegra, município da Espanha localizado na Província de Toledo

Decisão e determinação são palavras e ações plenamente inseridas no vocabulário e comportamento de Fabiola Soares de Melo, aluna do curso de Direito da Unoeste, que acaba de retornar da Universidad de Castilla-La Mancha(UCLM), no campus da cidade de Toledo, na Espanha. Fez o intercâmbio de estudos com bolsa do Santander Ibero-Americanas e viajou de mochilão para nove países, trazendo em sua bagagem cultural a visão de que o ser humano é muito pequeno diante de um mundo tão grande.

Mesmo sendo pouco diante do muito, é possível se agigantar em vivências, como conta a estudante de 22 anos, que extraiu o máximo que pôde dessa troca do saber acadêmico e cultural. Fez opção pelo direito internacional, andou bastante para explorar Toledo, esteve nas cidades de Madri e Consuegra, participou das festas com universitários dentro a fora do campus, prestou serviço voluntário na cozinha de uma casa de passagem da Caritas da Espanha e construiu seu network internacional.

Mineira de Araguari, a 40 km de Uberlândia (MG), desde os 12 anos mora em Presidente Prudente por causa da avó. “Minha mãe voltou para cuidar da minha avó”, conta a jovem, que é órfã de pai e mora com a mãe Maria Aparecida Soares, no Parque Alexandrina, na zona norte. Concluiu o ensino fundamental e fez o ensino médio na Escola Estadual Fernando Costa, no centro da cidade, além de cursos no Centro de Estudos de Línguas (CEL) da Escola Monsenhor Sarrion: francês e espanhol.

O inglês aprendeu fora da escola pública e no ano passado foi à Cidade do Cabo para testar a língua inglesa durante 15 dias. A viagem foi custeada por suas economias juntada durante um bom tempo de trabalho. Escolheu a África do Sul por ser bem mais barata a viagem, hospedagem e alimentação, comparando com outros países em que há esse idioma como língua oficial. Pouco antes de viajar sofreu um acidente de motocicleta, de tal forma que viajou usando muleta.

Surpresa – Depois de tentar e não ter conseguido bolsa pelo Santander Mundi, se inscreveu e ficou como segunda suplente na lista dos selecionados pela Unoeste na bolsa Ibero-Americanas. Como tinha lido a notícia com apenas os nomes dos contemplados, não sabia que era suplente. Só soube quando recebeu a ligação da Assessoria de Relações Interinstitucionais no final de dezembro. Teve um mês para providenciar toda a documentação e obter a carta de aceite da universidade de destino.

Sua intenção era ir para a Argentina, mas as instituições de ensino superior já tinham encerrado os prazos de inscrições. Dessa maneira, buscou outras possibilidades e obteve cinco cartas de aceite: no México, Chile, Portugal e duas na Espanha. Optou pela Castilla-La Mancha, onde fez cinco disciplinas na área do direito internacional, matriculada em três cursos: Direito, Administração e Relações Internacionais. Isso resultou em uma relação mais ampla com estudantes de várias partes do mundo.

Fabiola conviveu mais intensamente com três idiomas diferentes, de suas companheiras de moradia num sobrado de apartamentos, sendo duas italianas, duas espanholas e uma alemã. Nas disciplinas que fez encontrou 14 brasileiros, a maioria do Rio Grande do Sul, mas também conviveu, entre outras nacionalidades além das europeias, com mexicanos, argentinos e uruguaios. Viu e falou com muita gente praticamente do mundo todo, nos dez países nos quais esteve.

Além da Espanha, esteve em Portugal, França, Itália, Grécia, Alemanha, Holanda, Bélgica, Inglaterra e Irlanda. Como fez intercâmbio em universidade paga e morou de aluguel, o dinheiro da bolsa e do seu seguro desemprego resultou num orçamento muito apertado, mas que não foi empecilho para viajar. Resiliente, nas viagens de avião dormiu em aeroportos e adotou a estratégia de viagens noturnas por vias terrestres, para dormir nos ônibus. Conta que teve dia de pão e água, mas afirma ter valido a pena.

 Bom conteúdo – Antes do intercâmbio, Fabiola estudava de manhã, fazia estágio a tarde na Defensoria Pública, onde entrou por concurso, e a noite trabalhava em uma pizzaria. Pediu a demissão e agora, na volta, está procurando emprego e irá estudar a noite. A acadêmica está no penúltimo termo do curso e conta que o conteúdo da parte introdutória ao direito foi fundamental para entender bem as disciplinas lá na Espanha na área do direito internacional, que é uma disciplina ofertada no período que irá fazer agora na Unoeste.

Mesmo dizendo que gostou de morar na Espanha, a estudante conta que a sensação da volta para casa é muito boa e já sentiu isso quando o avião aterrissou no Aeroporto Internacional André Franco Montoro, em Guarulhos (SP). Embora falasse com sua mãe todos os dias por viodeochamada, a saudade era enorme. Durante os cinco meses de intercâmbio foi acompanhada pela Assessoria de Relações Interinstitucionais da Unoeste, de tal forma que também manteve ativo o vínculo institucional.

Por onde passou estabeleceu relações que são mantidas pelas redes sociais, as mesmas que usou quando esteve fora para não se distanciar de seus amigos daqui. Para o grupo Unoeste Mundo, no Facebook, produziu informações do tipo diário de bordo. Trocou e continua trocando instruções sobre intercâmbio com estudantes de vários cursos da universidade. Na Castilla-La seu principal contato é o professor José Manuel Velasco Retamosa, onde mantém portas abertas para um possível mestrado.

Existem possiblidades de voltar a estudar lá: por convênio da Unoeste com a Universidad de Castilla-La Mancha ou bolsa da Fundação Carolina. Fabiola quer dar aulas e direciona seu foco para a pós-graduação stricto sensu, seja no Brasil, na Espanha ou em qualquer outro país, assim que concluir o curso de Direito, que faz com bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni), que obteve quando já estava estudando, tendo optado pela Unoeste após aprovação em duas instituições de ensino superior.

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