Jorge da Cunha Lima lança livro de poesias em 15 de agosto após 40 anos sem publicar nenhuma obra no gênero

Após quatro décadas sem inéditos de poesia, o escritor reencontra o gênero em seu novo livro ‘Troia/Canudos’ , que será lançado em agosto pela editora Laranja Original


“De onde vem a poesia?”, pergunta um anjo que está na Quarta das Dez Elegias, no capítulo Tahina Can, parte escrita em espanhol do livro plurilíngue “Troia/Canudos” (Editora Laranja  Original, R$ 58), que Jorge da Cunha Lima lança em agosto. A poesia responde: “Vem dos sentimentos. Essas pedras de carne e osso, que se encontram no caminho: do amor, da amizade e da solidão”. Hoje, 40 anos após sua última obra inédita, essa questão carrega a contribuição de autores que foram referência de uma vida para Cunha Lima: James Joyce, Homero, Kafka, Virgílio, Dante, Shakespeare, Camões, Drummond, Mann, Rilke, Borges. Todos surgem de alguma forma neste novo trabalho.

Na vida de Jorge da Cunha Lima, escrever e observar a história de forma atenta começou cedo, aos 13 anos, no Colégio de São Bento, em São Paulo. Mais tarde, já nos anos da abertura democrática, a política, partidária ou institucional, tomou-lhe o tempo da poesia. Cunha Lima foi resgatá-lo anos mais tarde, já na virada do século, escrevendo metodicamente e guardando tudo na memória de um notebook. Mas a obra ali contida, já pronta para ser editada, simplesmente evaporou, quando o equipamento foi furtado e jamais recuperado. Passado o choque da perda, ele a entendeu como parte do processo de retomada e estabeleceu uma rotina de “manhãs sabáticas”, como mesmo diz, em que diariamente se dedicou a escrever poesia com mais afinco do que antes.

Depois de pouco menos de dez anos – e agora com um prudente back-up –, o autor de ‘Mão de Obra’, ‘Ensaio Geral’, ‘Véspera de Aquarius’ e do romance ‘O jovem K ’ apresenta o resultado da retomada. “Troia Canudos” é, na verdade, uma trilogia. Além do conjunto de poemas que dá título ao livro, há mais duas partes distintas, “Tahina Khan” – uma sucessão de viagens poéticas, que fala do mundo e usa, para isso, quatro idiomas diferentes – e “Lições”, reflexões poéticas sobre o tempo, os afetos, o correr da vida. “A exemplo de obras anteriores deste poeta, tão veterano quanto atual, nesta o leitor vai se deleitar com alusões literárias não apenas a autores lusófonos, como Camões, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Machado de Assis, Casimiro de Abreu, Euclides da Cunha, Carlos Drummond de Andrade, como também, a vários de língua estrangeira, desde Homero, Virgílio, Dante, Shakespeare até Goethe, Rimbaud, Proust, Joyce ou Lorca”, conta o professor e tradutor José Roberto O´Shea, da UFSC.

No prefácio de “Troia/Canudos”, o escritor e tradutor Reinaldo Moraes, autor de “Pornopopeia” e “Barata”, assinala que Cunha Lima imprime um “ritmo tão forte que você se pilha marcando a cadência dos versos com o pé, e uma erudição posta ao alcance da libido do leitor”. De fato, como lembra o poeta, o pensamento, a literatura e o sexo têm hora marcada no firmamento . “Em pensamento, podemos acreditar que Troia é Canudos, Príamo é Antônio Conselheiro, Jorginho é Homero, e eu, minha amiga, meu amigo, eu sou você, e todos temos hora marcada neste belo livro de poesia”, diz Moraes.

Serviço

Troia/Canudos (Editora Laranja Original)
Preço: R$ 58
Páginas: 444
ISBN: 9788592875091
Lançamento: 15 de agosto, das 18h30 às 21h30.
Local: Livraria Cultura – Conjunto Nacional | Avenida Paulista, 2.073 – Consolação | (11) 3170 – 4033.

SOBRE JORGE DA CUNHA LIMA

Jorge da Cunha Lima começou a escrever aos 13 anos. Ainda menino, era leitor voraz. Formou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, casa de poetas, romancistas, jornalistas, homens públicos. Jorge foi tudo isso, exceto, talvez, advogado. Poeta, publicou “Ensaio Geral”, “Mão de Obra” e “Véspera de Aquarius”. Romancista, assina “O Jovem K”. Do jornalista e ensaísta, vieram “Cultura Pública” e a carreira de editor e redator em publicações como o jornal “Última Hora”, de Samuel Wainer, e a revista “Senhor”. Para aflição do escritor e futura gratidão de seus concidadãos, o homem público foi secretário de Cultura do Estado de São Paulo (governo Montoro), presidente da TV Gazeta — na qual introduziu inovações, como o repórter câmera, usado hoje, três décadas depois, pelo jornalismo das grandes redes — e presidente da TV Cultura.

SOBRE A EDITORA LARANJA ORIGINAL

A Editora Laranja Original nasceu de reuniões entre os escritores Filipe Moreau (também músico), Jayme Serva (também publicitário) e Miriam Homem de Mello (também fotógrafa). Inicialmente, estaria voltada não só à literatura, mas às diversas expressões de arte (em especial, a fotografia), pretendendo-se dar oportunidade a novos autores.

Depois de quatro publicações em parceria com outras editoras, partiu-se para a formalização com a entrada do produtor cultural (também fotógrafo) Gabriel Mayor e da escritora (também produtora) Clara Baccarin. Foi quando a editora ganhou corpo e dinâmica, passando a realmente alçar voo. Em poucos meses seguiu-se a entrada de mais uma escritora (e jornalista), Germana Zanettini, e de uma produtora (e administradora), Natane Abreu.

Em seu histórico inicial, dos primeiros dez livros, a editora já se identifica como especializada em poesia, e não à toa: quatro de seus editores são poetas. Mesmo com essa vocação e principal área de atuação, a Laranja Original tem em seu acervo outras formas de ficção literária e também alguns trabalhos acadêmicos (em especial, biografias).

Além dos livros, a editora também produz CDs, pois, desde o início, a música fez parte de seu escopo de trabalho (não só para os editores que começaram o grupo, mas, também, para os que entraram depois). Hoje, já há três CDs em seu catálogo, e outros estão por vir.

Em ambos os casos (livros e CDs), o material é produzido com esmero nos projetos gráficos, pois a editora tem como princípio a qualidade total do que produz. Entre os artistas gráficos que fazem projetos para a Laranja Original, há desde jovens reconhecidos no meio, como Flávia Castanheira, aos já historicamente consagrados, como Hélio de Almeida.

Serviço
www.laranjaoriginal.com.br

Posts Relacionados

Prêmio Ibema Gravura abre inscrições e distribui R$ 13 mil à jovens artistas

CLUBE HEBRAICA REALIZA O 21º FESTIVAL DE CINEMA JUDAICO DE SÃO PAULO

Jovem de projeto social de música é finalista do Concurso Nacional de Piano Yamaha