Feiras educacionais e culturais: Um importante nicho a ser explorado pelas Faculdades e Universidades Brasileiras

Durante muito tempo, as faculdades, universidades e centros universitários espalhados pelo país, estrategicamente se mantiveram afastadas da participação em Feiras Educacionais que timidamente se espalhavam pelas principais capitais num processo muito lento e sobretudo difícil porque as barreiras culturais e a falta de histórico nesse sentido eram muito grandes.

De um lado, gestores entendiam que bastava simplesmente promover a cada semestre nas dependências de seus próprios campus, uma feira de profissões, com os recursos de seus corpos docentes e atrair estudantes dos colégios locais para mostrar seus diferenciais e seus atrativos visando a captação de um novo plantel de alunos ingressantes no ensino superior no próximo ano.  Na visão um tanto equivocada desses dirigentes, participar de Feiras Educacionais seria perda de tempo e gastos desnecessários. Melhor continuar esperando que a “concorrência” corresse atrás do prejuízo.

De outro, os próprios estudantes do ensino médio não manifestavam interesse capaz de “mover a roda”, pois essas incursões acabavam sendo vistas como “mais do mesmo”, ou seja, não havia “novidades”, seja na apresentação, no formato ou no conteúdo dessas “mostras” que instigassem a adesão, envolvimento e participação dos futuros calouros universitários.

Era uma solução “caseira” confinada e limitada aos interesses exclusivamente locais que na prática produzia resultados inferiores às expectativas tanto dos organizadores quanto dos visitantes.

Ocorre que o conhecimento não delimita fronteiras e assim como acontece em outros setores da economia que há anos  se valem dessa importante ferramenta de marketing que são as feiras de negócios,  finalmente gestores e diretores de grandes grupos educacionais e até mesmo  faculdades particulares administradas por seus próprios donos compreenderam a importância de marcarem presenças neste segmento que a cada ano cresce de forma surpreendente , aquece o setor e movimenta a economia das localidades onde ocorrem.

O processo da educação superior brasileira se abriu para o mundo, expandiu suas bases em todas as direções e adquiriu um novo status de competitividade para despertar o interesse de jovens universitários, para quem, a distância ou a migração para outros polos educacionais deixou de ser um empecilho.

As Feiras educacionais tornaram-se um importante veículo na divulgação, expansão e captação de novos alunos, pois ao migrarem de seus campus estáticos para campos móveis, foram de encontro às aspirações de muitos estudantes que ansiavam por conhecer novas possibilidades de formação superior ou até mesmo técnica.  

Em tempos de redes sociais abundantes e pouco profundas, ao saírem de suas zonas de conforto, essas Faculdades passaram a ter um encontro   direto e “olho no olho” com o seu público alvo de forma abrangente, eficaz e com alcance imediato   que de outra forma, não seria possível.   O corpo- a- corpo tornou-se uma ferramenta essencial nesse processo de captação, uma vez que “fixa” a marca da Instituição na memória dos visitantes das Feiras.

Outro fator importantíssimo a ser considerado é a questão “investimento” em publicidade, tendo em vista que os custos para participação em Feiras Educacionais tendem a ser infinitamente mais baixos que as custos para anunciantes em mídias de televisão, revistas ou até mesmo out doors e sobretudo, ações de marketing promovidas em shoppings ou locais de grande concentração de público, nem sempre diretamente envolvido ou efetivamente interessado com as razões da ação institucional.

Antes limitadas às Capitais, as Feiras Educacionais atualmente estão ampliando suas áreas de atuação e algumas das maiores cidades do interior paulista estão recebendo edições locais ou regionais de importantes feiras estudantis como a Feira do CIIE que consolidada há muitos anos em SP, expandiu-se para Goiânia e para 2018 tem programadas edições pioneiras em Fortaleza, São José dos Campos e Sorocaba.   Na região central do Estado de São Paulo, a Feira Super Teens Estudantes, realizada anualmente em São Carlos, tem caráter regional e está se firmando como um importante canal de comunicação das Instituições com um grande contingente de estudantes de toda a região ávidos por obterem informações sobre acesso a cursos superiores nas mais diferentes áreas.

Todas as universidades e executivos da área educacional consultados para esta matéria foram unânimes em afirmar que não importa o tamanho físico das Feiras, o resultado é sempre compensador seja de imediato ou de médio a longo prazo, desde que o evento tenha cumprido a missão principal que é a de atrair e levar o público alvo diretamente ao encontro das instituições participantes.  É um processo de semeadura em massa, mas colhido de forma individual.

As Feiras estão sabendo aproveitar esse momento de “despertar” e a cada ano tornam-se mais atraentes com a inclusão de programas e atividades culturais que “casam” perfeitamente com as atividades acadêmicas, transformando a visitação num passeio agradável onde conhecimento, informação e divertimento caminham juntos.

Chegou a hora das faculdades e universidades compreenderem na prática uma valorosa lição:  Seus futuros alunos serão encontrados com mais facilidade em Feiras Educacionais e Culturais…É lá que eles esperam por vocês e participar dessas feiras tornou-se um extraordinário canal de fechamento de negócios com esse público cada vez mais exigente e antenado.

As universidades e faculdades, assim como seus prospectos e futuros alunos estão indo sem temor, às Feiras.  É o primeiro passo para um bom entendimento.

Dema de Francisco, editor da Revista Ponto  Jovem.

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