Como a robótica está transformando o futuro

3 de maio de 2021 Atualidades
Como a robótica está transformando o futuro

Se há algumas décadas robôs eram apenas elementos em filmes de ficção científica, hoje eles estão presentes em diversas atividades do dia a dia. E a tendência é que sua empregabilidade nas mais variadas funções não pare de
crescer tão cedo.

 

Tal movimentação, obviamente, vem sendo acelerada pela pandemia, principalmente em razão do isolamento social e da necessidade de se ter, por enquanto, o menor contato possível com outras pessoas. É a transformação digital, que está cada vez mais evidente nas empresas dos mais variados portes e segmentos.

Em 2021, o valor do mercado global da robótica convencional e avançada deve crescer 40% em relação aos três últimos anos, de acordo com a AksjeBloggen, empresa norueguesa de serviços financeiros. Além disso, até 2023, de acordo com a consultoria indiana ReportsnReports, o mercado de robôs com inteligência artificial deve saltar para US$ 12,36 bilhões.

A utilização da robótica em larga escala nas corporações e no dia a dia está mudando de forma contínua o cenário das relações interpessoais, da aprendizagem e das profissões. Ocupando lugar de destaque principalmente no
mercado de trabalho, as máquinas passaram a desenvolver algumas atividades com maestria, possibilitando a aplicação da inteligência humana em questões muito mais estratégicas, exigindo o desenvolvimento de novas habilidades e características, entre as quais criatividade e adaptabilidade.

Apesar do franco crescimento em todo o mundo, o Brasil ainda fica atrás de outras nações na utilização dos robôs. Dados da IFR (Federação Internacional de Robótica, na sigla em inglês), apontam que o país tem dez robôs a cada 10 mil trabalhadores, enquanto a média global é de 74.

 

Falta de mão de obra retarda avanços

O país precisa avançar em diversas frentes para elevar sua posição na escala mundial. É necessário acelerar o desenvolvimento de máquinas e soluções mais adaptadas à demanda de empresas de pequeno e médio porte, além de evoluir em questões regulatórias. Mas há ainda outro fator fundamental que retarda o crescimento do Brasil na robótica: a carência de engenheiros, programadores e técnicos qualificados, com especialização para atuar com robôs.

Mudar esse cenário pode estar mais perto do que se imagina.

Em todo o território nacional, escolas já perceberam que apostar no ensino da robótica desde cedo contribui com o desenvolvimento cognitivo dos alunos e pode, no futuro, ajudar a suprir a falta de profissionais do setor. Mais do que isso, pode colaborar para uma geração muito mais conectada e com perfeito domínio da inteligência emocional.

O potencial interdisciplinar da robótica é imenso. Não se trata apenas de construir um robô, mas sim de solucionar problemas, desenvolver novos mecanismos e novas maneiras de pensar. A robótica faz uma ligação entre diversas fronteiras: ajuda a desenvolver o raciocínio lógico, estimula o trabalho em equipe, melhora a capacidade motora, aguça a investigação e prepara os jovens para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.

 

Mãos na massa e robôs na mente

À frente de um projeto voltado para o desenvolvimento de robôs em um colégio particular do interior de São Paulo, tenho conseguido acompanhar, na prática, a importância do ensino da robótica. Aliás, já há alguns anos, as turmas não só se concentram no desenvolvimento das máquinas, como levam suas criações para participar da maior competição de robótica do mundo, o FIRST (For Inspiration and Recognition of Science and Technology), que acontece anualmente nos Estados Unidos. Infelizmente, por motivos óbvios, a competição não foi realizada nos últimos anos, mas deve ser retomada assim que possível.

A experiência de estar inserido nesse ambiente de inovação e trabalho conjunto desperta nos alunos uma faísca diferente. Traz, além de uma pequena amostra do que podem enfrentar no mercado profissional, a possibilidade de expandir seus conhecimentos e fazer networking. Se a tecnologia quebra fronteiras e aproxima diferentes ideias, este é um excelente exemplo.

Por isso, mesmo com as dificuldades, é imprescindível que as instituições tenham isso em mente quando ocorrer o retorno das aulas presenciais.

Com a robótica cada vez mais intrínseca no ensino do dia a dia, desde os anos iniciais da Educação Básica, também é questão de tempo para que o Brasil passe a se destacar no desenvolvimento e na utilização dos robôs nas mais variadas tarefas. Com a soma dos benefícios da robótica, do interesse dos jovens e das possibilidades que o segmento tem para o futuro, o país pode, muito em breve, galgar espaço, evoluir e, consequentemente, se tornar referência em robotização.

 

Créditos da Matéria : artigo de autoria do Professor Guilherme Carvalho


Guilherme Carvalho é docente no Ensino Superior, Técnico e Médio Técnico na ETEP. Possui graduação em Engenharia Elétrica/Eletrônica, com especialização no Programa Especial de Formação Pedagógica para Docentes em Matemática.

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