“Di Repente” Um musical Brasileiro capaz de encantar e comover com uma história humana sobre o homem comum

29 de junho de 2019 Teatro, TV e Cinema
“Di Repente” Um musical Brasileiro capaz de encantar e comover com uma história humana sobre o homem comum

Desde a primeira cena do espetáculo “Di Repente” , o espectador  sente que está diante de um teatro vivo, capaz de envolve-lo e leva-lo para uma viagem ao  interior de sentimentos, acontecimentos, lembranças e costumes arraigados à memória afetiva de muita gente.

Autora Theodora Ribeiro
Autora: Theodora Ribeiro

Num cenário aparentemente simples, mas muito criativo e  interessante, retratando um canteiro de obras, concebido por Marcio Tadeu, três operários da construção civil,  vão construindo com blocos de tijolos os ambientes pelos quais as cenas se intercalam e se entrelaçam com os dramas  e situações pessoais dos trabalhadores; Assim, entre tijolos, telas de construção, baldes, latas, pás e carriola a história vai fisgando e envolvendo o público   de uma maneira a torna-lo cúmplice do que se vê no palco, tendo como grandes aliados nessa jornada, além do texto afiado e maduro da autora Theodora Ribeiro, o desenho de luz criado por  Cesar Pivetti e uma trilha sonora executada ao vivo pelos atores e atrizes em cena.

Sim, “Di Repente” é um musical genuinamente brasileiro, de raiz, criado sem ações mirabolantes importadas de musicais da  Broadway ou Off Broadway e nisto está também grande parte do seu mérito. É uma história para brasileiros que vivem o dia a dia com seus sonhos, mazelas, decepções, conquistas, frustrações e lutas. O espectador se reconhecerá na fala dos personagens em algum momento do espetáculo. 

Há o operário que vindo do interior do Ceará está há mais tempo em São Paulo onde recebe  e emprega dois primos, um deles sonhando em se tornar cantor conhecido do grande público e outro, um agradável cafajeste sonhando em se dar bem a qualquer preço.

Entre esses homens trabalhadores, conscientes ou não de seus direitos civis e sociais, transita Nevinha, uma mocinha adolescente trazida do interior da Bahia por uma “amiga” da família  para supostamente ter melhores chances de estudar, mas que na verdade está sendo explorada como mão de obra barata sem que tenha consciência disso; Impossível olhar para a personagem sem nos lembrarmos de tantos imigrantes venezuelanos ou bolivianos que são explorados de forma idêntica naquilo que chamamos de “vida real”.  Nevinha é um personagem universal em seus sonhos, desencantos e limitações impostas por aqueles que “tangem o gado”. 

Todos os atores cantam e tocam seus instrumentos em canções  que nos remetem à tradição da literatura de cordel com temas e situações que vão conduzindo seus personagens ao destino final de cada um.

A escolha do elenco foi acertada em todos os aspectos, mesclando veteranos e iniciantes como Luiã Borges  no papel título, um cantador apaixonado por Nevinha, personagem de Myllena Oliver, estudante de artes cênicas em seu primeiro desempenho profissional e a quem desde já, desejamos vida longa e profícua carreira.  

Diego Rodda convence e brilha como Ceará, o  líder dos operários e tem uma atuação soberba quando  “engole” as palavras de forma atropelada numa das cenas do espetáculo. Seguro de si e do seu oficio, ocupa merecidamente e de forma inequívoca o papel de chefe da família no trabalho. 

Mas quem “rouba” a cena desde o inicio, indiscutivelmente é Mario Matias impecável como o malandro Canindé, dando um show  de sedução e levando a plateia “na lábia” com sua performance impecável. Compõe ainda o elenco, a musicista Nathália Gonçalves.   

O espetáculo, viabilizado através do Prêmio Zé Renato de Teatro é uma demonstração da força e da resiliência da autora, do Grupo Luz e Ribalta, dos atores, diretor e de todos que se envolveram visceralmente nessa produção, realizada  na força, na raça e na determinação desses incansáveis trabalhadores do oficio teatral. A honestidade do projeto e de sua efetivação em cena mostra o quanto o dinheiro público pode ser bem usado a favor da nossa cultura e de nossa arte.  

A temporada na Oficina Cultural Oswald de Andrade em São Paulo termina no próximo sábado e a incansável autora e produtora já se movimenta para levar o espetáculo para outras praças, guerreando contra o desmonte da cultura brasileira e literalmente correndo atrás de patrocínios para que essa saga continue a encantar plateias de todo o país.

É um espetáculo que merece ser visto e aplaudido longamente, em pé, como ocorreu na sessão da ultima quinta feira dia 27 de junho, quando este editor era um dos felizes espectadores na plateia. 

Vida longa à “Di Repente” e sua brava equipe de cantantes sonhadores e realizadores. 

Serviço:

Ultima sessão neste sábado dia 29.06.2019  – Entrada Franca

Oficina Cultural Oswald de Andrade às 18 horas

Rua Três Rios,   363 – Bom Retiro.

Fone (11) 3222-2662  

Contatos com a Autora e Produtora

Theodora Ribeiro   (11) 9-9606-4218

theodoraribeiro@uol.com.br


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