Ícaro, de Luciano Mallmann, estreia no Sesc Ipiranga

25 de abril de 2019 Teatro, TV e Cinema
Ícaro, de Luciano Mallmann, estreia no Sesc Ipiranga

ÍCARO, de Luciano Mallmann, estreia em São Paulo no teatro do Sesc Ipiranga

Espetáculo vencedor do Prêmio Açorianos de Melhor Dramaturgia, desmistifica universo de cadeirantes por meio do teatro documental com ator e dramaturgo que sofreu uma lesão medular

Crédito: Fernanda Chemale

Após participar de vários festivais brasileiros e ganhar o Prêmio Açorianos de Melhor Dramaturgia o espetáculo teatral Ícaro, do o ator e dramaturgo Luciano Mallmann, chega a São Paulo para temporada no projeto Teatro Mínimo do Sesc Ipiranga. Com estreia em 26 de abril o monólogo fica em cartaz, de quinta a domingo, até 19 de maio.

O artista, que ficou tetraplégico, em 2004, após uma queda durante um exercício de acrobacia aérea em tecido, traz para a encenação uma mistura de ficção e realidade. Luciano interpreta histórias inspiradas em sua própria vivência e em depoimentos de pessoas com lesões medulares que conheceu depois que passou a usar cadeira de rodas. Com personagens femininos e masculinos a dramaturgia privilegia temas universais e evidencia a condição humana, de modo a estabelecer identificação direta com o público.

Sem cenário ou marcações bruscas, Ícaro, que tem direção de Liane Venturella, valoriza a interpretação e surpreende pela forma com que o ator explora o corpo durante as cenas. A precisão dos movimentos é elemento fundamental para expressar as limitações físicas de cada personagem. Surgem, em cena, a modelo, o lutador, a mãe, o ator e o acrobata. Ao longo dos 70 minutos da encenação, Luciano Mallmann toca em temas como preconceito, resiliência, relações familiares e amorosas, suicídio, maternidade e gravidez. Um mosaico sobre a diversidade humana.

“Por trás da deficiência, existe uma pessoa que tem histórias. Isso é o mais importante e também o que provoca a identificação com a plateia. A peça desperta essa quebra de paradigma. Não adianta nada os cadeirantes estarem integrados à sociedade, mas sempre serem vistos de forma diferente pelos outros” defende Luciano Mallmann.

Trajetória do espetáculo

O Espetáculo que apresentou-se em temporada de quase dois meses no Teatro Poeirinha, Rio de Janeiro, no final de 2018, teve participação em diferentes festivais pelo país: Porto Alegre em Cena (setembro de 2017); Janeiro de Grandes Espetáculos (Recife, janeiro de 2018); Porto Verão Alegre (janeiro de 2018); Feverestival (Campinas, em fevereiro de 2018); Mostra de Teatro de Sertãozinho (maio de 2018) e Palco Giratório SESC (Porto Alegre, em maio de 2018). A encenação também participou do Caxias em Cena (Caxias do Sul, em agosto 2018); Cena Contemporânea (Brasília, em agosto 2018); Filte Bahia (Salvador, em setembro de 2018) e do Festival Isnard Azevedo (Florianópolis, em setembro 2018); Mãos à Obra – Seminário de Acessibilidade Cultural, Sesc São Luís (Maranhão, em março de 2019); Festival de Curitiba (abril de 2019); entre outros.

Sinopse: Em cena, um único ator e seis histórias com um ponto em comum: depoimentos ficcionais de pessoas cadeirantes. O texto foi escrito pelo próprio intérprete Luciano Mallmann, que teve uma lesão medular sofrida em uma queda de acrobacia área em tecido há 13 anos. A partir de temáticas universais (relação entre pais e filhos, preconceito, relacionamentos amorosos, abandono, suicídio, gravidez, maternidade) a montagem aborda a fragilidade humana a qual todos estamos expostos.

Ficha técnica:

Dramaturgia e atuação: Luciano Mallmann

Direção: Liane Venturella

Trilha sonora: Monica Tomasi

Iluminação: Fabrício Simões

Técnico de Som e Luz: Daniel Salvi

Preparação vocal: Ligia Mota

Fotografia: Fernanda Chemale e Nina Pires

Produção Local: Nascedouro Gestão Cultural (Elisa Taemi e Milena Marques)

Assessoria de Imprensa (SP): Locomotiva Cultural

A logomarca do espetáculo foi criada pela artista visual Walmor Corrêa.

Luciano Mallmann – Ator, dramaturgo e produtor

Iniciou sua trajetória, em Porto Alegre, na Cia. das Índias, dirigido por Zé Adão Barbosa em 1991. Participou dos espetáculos “A Gata Borralheira” (1991), “Ai de ti, Dorothy Parker” (1992), “O Despertar da Primavera” (1993) e “Love Hurts” (1996). Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1996, quando participou da Oficina de Atores da Rede Globo e do espetáculo “A Dama do Cerrado”, de Mauro Rasi. Também integrou o elenco de “Sweet Charity Pocket Show” (1998), “Rock Horror Picture Show” (1999) e “Rio´s Cabaret Musical” (2000), todos dirigidos por Carlos Leça. Luciano atuou ainda em “Ela Brasil” (2001, direção de Ignácio Coqueiro), “Os Duelistas” (2001, de Jorge Fernando), “Sonhos de Einstein” (2004, Cláudio Baltar, da Intérprida Trupe) e “O Circo Fantástico” (2004, de Fábio Florentino).

Em 2004, sofreu uma lesão medular passando a usar cadeira de rodas. Foi quando voltou a morar em Porto Alegre. Em 2011, produziu e atuou em “A Mulher Sem Pecado”, de Nelson Rodrigues e com direção de Caco Coelho. O espetáculo foi indicado a todas as categorias do Prêmio Açorianos, levando as estatuetas de produção, atriz, cenografia e espetáculo pelo júri popular.

No cinema, atuou nos curtas-metragens “O Caso do Linguiceiro” (1995), de Flávia Seligman, e “Bola de Fogo” (1996), de Marta Biavaschi. Luciano rodou os longas-metragens “Divino amor”, de Gabriel Mascaro, em que contracena com Dira Paes – filme que atualmente participa de festivais internacionais – e “Bio”, de Carlos Gerbase – um documentário de ficção no qual foi indicado ao prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Gramado, no ano passado, e foi lançado no início do mês de abril.

Na TV, participou das novelas “Mandacaru” (1997), dirigida por Walter Avancini na extinta TV Manchete e “Meu Bem Querer” (1998), direção de Marcos Paulo, na TV Globo.

Com Ícaro, Luciano fez sua estreia como dramaturgo, espetáculo com o qual foi laureado, em 2017, com o Prêmio Açorianos de Melhor Dramaturgia.

Liane Venturella – Diretora

Dirigiu os espetáculos “Circo Minimal” (2001), “Odoya, Xire das Águas” (2008) e “Louça Cinderella” (2010) para Cia. Gente Falante; “O gordo e o magro vão para o céu” (2009), de Paul Auster, para a Cia In.Co.MO.De-Te;  “Um Verdadeiro Cowboy” (2011) para o Depósito de Teatro; “Corsário Inversos” (2013) para o grupo Mosaico; “A Farsa do Advogado Pathelin” (2014) para o grupo Hora Vaga; “Tempo de Sonhar” (2015), do Vocal MandrialisSalão Grená e Portal de Partidas (2015) para a Cia. Municipal de Dança de Porto Alegre; “A Saga do Homem Comum” (2015) para a banda Capitão Rodrigo; “Brechó da Humanidade (2016) para Rudinei Morales;“Marcela Fenay” (2016), solo da bailarina Andrea Spolaor; “Cantos de Linho de Lã” (2016) e “O Jardineiro dos Pensamentos” (2016) para o Grupo Hora Vaga, de Garibaldi.

Como atriz atuou em mais de 20 espetáculos teatrais, 10 filmes e em diversos trabalhos para televisão.

Sobre o projeto Teatro Mínimo

Realizado no Auditório do Sesc Ipiranga, o projeto apresenta uma série de espetáculos intimistas, preferencialmente monólogos, baseados essencialmente no trabalho de interpretação do ator, trazendo textos de autores consagrados e de novos dramaturgos, que tenham como foco o trabalho de expressividade do intérprete.

SERVIÇO

“ÍCARO”

Temporada: de 26 de abril a 19 de maio de 2019 –  Quintas e Sextas-feiras às 21h30 | Sábados às 19h30 | Domingos às 18h30. * Sessão extra no feriado 1º de maio às 18h30

Ingresso: R$ 20,00 (inteira) | R$ 10,00 (meia) | R$ 6,00 (credencial plena) à venda pelo Portal Sesc SP e nas bilheterias da Rede Sesc |* A sessão do dia 18 de maio integra a programação da Virada Cultural e é gratuita, com retirada de ingresso 1 hora antes.

Duração: 70 min

Gênero: Teatro Documental.

Auditório: 30 lugares

Classificação indicativa: 14 anos.

Sesc Ipiranga

Rua Bom Pastor, 822 –  Ipiranga

Tel: 3340-2000


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