Liberdade em Cena apresenta “Um Tiro no Coração”, de Oswaldo Mendes no CPF- Sesc

7 de agosto de 2019 Teatro, TV e Cinema
Liberdade em Cena apresenta “Um Tiro no Coração”, de Oswaldo Mendes no CPF- Sesc

 Projeto Liberdade em Cena apresenta Um Tiro no Coração de Oswaldo Mendes 

Liberdade em cena é um projeto do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em parceria com o Observatório de Comunicação e Expressão e Censura (OBCOM) da ECA/USP, que tem como proposta apresentar as histórias, obras e autores que configuraram a cena teatral brasileira a partir do século XX, por meio de leituras dramáticas seguidas de debate.

São peças e autores que percorrem o século XX e suas transformações dramatúrgicas, abrangendo diversas questões nacionais e abordando as contribuições e inovações da obra à dramaturgia e ao espetáculo teatral brasileiro. A ideia é trazer ao público essas obras e discutir sobre sua mensagem e conteúdo, assim como averiguar a importância que elas têm hoje e as razões para a sua marcante presença nos palcos brasileiros.

A leitura do mês de agosto é da peça Um tiro no Coração, de Oswaldo Mendes. No elenco estão: Amazyles de Almeida, Augusto Zacchi, Douglas Simon, Ednaldo Freire, Lara Córdula, Rogério Brito e Walter Breda. A direção é de Roberto Ascar.

Após a leitura acontece um debate com o cientista político, José Álvaro Moisés e a professora Maria Cristina Castilho Costa (ECA USP).

SOBRE A PEÇA

Ao estrear em 24 de agosto de 1984, no Auditório Augusta, Um tiro no coração  remetia a um episódio histórico que completava então trinta anos. Agora são 65 anos desde a manhã de 24 de agosto de 1954, quando Getúlio Vargas tirou a própria vida para, segundo sua carta-testamento, “entrar na história”. O protagonismo da peça, entretanto, é dividido com o jornalista Samuel Wainer (Profeta), que fundou “Última Hora” em defesa de Vargas, contrapondo-se ao jornal “Tribuna da Imprensa”, de Carlos Lacerda. Para o sociólogo Florestan Fernandes essa “focalização jornalística torna mais aguda a relação dialética entre teatro e história, indo do fato ou da ocorrência primordial à glória e desta à incomensurável força destrutiva do poder”. O período focado pela peça de Oswaldo Mendes começa no encontro do então senador Vargas com Samuel Wainer, na Fazenda dos Santos Reis, no interior do Rio Grande do Sul, em fevereiro de 1949. Nessa breve entrevista o ditador, que ficou no poder da Revolução de 1930 até ser deposto em outubro de 1945, insinua a disposição de voltar ao Palácio do Catete. Desta vez pelo voto. Eleito em 3 de outubro de 1950 com 48,7% dos votos, Getúlio assume a presidência em janeiro já sob forte oposição dos principais jornais do Distrito Federal, principalmente de “O Globo” e dos Diários Associados de Assis Chateaubriand. Da criação da Petrobrás, do BNDES e da Eletrobrás a medidas de proteção aos que trabalham em condições insalubres ou de perigo, o governo logo é acusado de comunista. Não demorariam a surgir também acusações de corrupção envolvendo não o Presidente, mas o seu entorno, mergulhado em um “mar de lama”.

Dos personagens de Um tiro no coração, apenas uma pertence ao mundo da ficção, a Vedete. O teatro de revista era no Rio de Janeiro de então, e ainda, ponto de encontro e observação da política. Mas os seus artistas, como o povo, só entravam, e entram, na História pela porta dos fundos, como canta o samba de abertura da peça. O seu lugar é sempre à margem, com olhar crítico sobre as tramas e disputas pelo poder. Por isso, no final, não importa o papel reservado a Getúlio Vargas na História, de herói ou vilão, pois, como observou o professor Florestan Fernandes ao assistir à peça e m 1984, “um tiro que mata um chefe de Estado não encerra uma tragédia pessoal, mas abre uma tragédia coletiva”. Basta pensar na história brasileira dos últimos 65 anos.

SOBRE O AUTOR

Oswaldo Mendes: Nascido em Marília (SP) em 1946. Jornalista, dramaturgo, escritor, ator e diretor de teatro formado pela Escola de Arte Dramática da USP (1971). Como jornalista, dirigiu o jornal Última Hora (SP), foi editor do suplemento Folhetim e subsecretário de redação da Folha de S. Paulo e editor de Cultura da revista Visão. Um dos fundadores da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA. Como escritor, publicou os livros Getúlio Vargas, uma Biografia (Editora Moderna, 1984), Ademar Guerra: O Teatro de um Homem Só (Editora Senac, 1997), indicado para o prêmio Shell, e Teatro e Circunstância (Editora Núcleo, 2005), Prêmio Mambembe Funarte, A Dança do Universo (2005), Bendito Maldito – Um Biografia de Plínio Marcos, 2009, Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Como dramaturgo, escreveu as peças Um Tiro no Coração 1985, A Dança do Universo, 2005, Insubmissas, indicada ao Prêmio Shell e APCA em 2015, e a inédita O julgamento de Oppenheimer (2018). Como ator, atuou em CopenhagenA Dança do UniversoOxigênioE Agora, sr. Feynman?Quebrando CódigosAfter Darwin e Perdida – Uma Comédia Quântica, pela qual foi indicado ao prêmio Shell de melhor ator em 2002,  Cenas de uma ExecuçãoAnti-Nelson Rodrigues Doze Homens e uma Sentença. Dirigiu, entre outros espetáculos: Brecht Segundo Brecht com Armando Bogus, São Paulo Brasil com César Camargo Mariano, Essa Mulher com Elis Regina, Sinal de Vida de Lauro César Muniz com Antonio Fagundes Natal na Praça A que Ponto Chegamos com Esther Góes e Walter Breda.

FICHA TÉCNICA

Texto: Um Tiro no Coração

Autor: Oswaldo Mendes

Diretor: Roberto Ascar

Elenco: Amazyles de Almeida, Augusto Zacchi, Douglas Simon, Ednaldo Freire, Lara Córdula, Rogério Brito e Walter Breda.

Música Original: Dionísio Moreno

Músicos: Betinho Sodré ,  Jean Garfunkel ,   Pratinha Saraiva

Coordenação de Dramaturgia: Renata Pallottini

Coordenação Geral do Projeto: Maria Cristina Castilho Costa

Produção Executiva   :    Blessa Cenografia e Eventos 

 

Sobre o CPF-Sesc

Inaugurado em agosto de 2012, o Centro de Pesquisa e  Formação do Sesc é uma unidade do Sesc São Paulo voltada para a produção de conhecimento, formação e difusão e tem o objetivo de estimular ações  e desenvolver estudos nos campos cultural e socioeducativo.

Além do Curso Sesc de Gestão Cultural – que visa a qualificação para a gestão cultural de profissionais atuantes no campo das Artes, tanto de instituições públicas como privadas – a unidade proporciona o acesso à cultura de forma ampla, tematicamente, por meio de cursos, palestras, oficinas, bate-papos, debates e encontros nas diversas áreas que compreendem a ação da entidade, como artes plásticas e visuais, ciências sociais, comportamento contemporâneo e cotidiano, filosofia, história, literatura e artes cênicas.

Serviço:

Dia 10 de agosto de 2019, sábado, das 14h30 às 17h30.
Recomendação etária: 16 anos. Número de vagas: 70.

Inscrições gratuitas na Central de Atendimento ou pelo site. Limitadas à capacidade do espaço. Serviço de van até a estação de metrô Trianon-Masp, de segunda a sexta, às 21h30, 21h45 e 22h05, para participantes das atividades.

 

Centro de Pesquisa e Formação – CPF Sesc

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar.

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 22h. Sábados, das 9h30 18h30.

Tel: 3254-5600


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