“Não Peça”, solo de solo de Lucília de Assis com direção de Bianca Byington, na Casa de Cultura Laura Alvim – de 7 a 22 de agosto (quartas e quintas)

3 de agosto de 2019 Teatro, TV e Cinema
“Não Peça”, solo de solo de Lucília de Assis com direção de Bianca Byington, na Casa de Cultura Laura Alvim – de 7 a 22 de agosto (quartas e quintas)

“NÃO PEÇA”

Espetáculo solo de Lucília de Assis com direção de Bianca Byington

faz curtíssima temporada na Casa de Cultura Laura Alvim

Espetáculo solo de Lucília de Assis com direção de Bianca Byington, “Não peça” chega à terceira temporada a partir de 7 de agosto na Casa de Cultura Laura Alvim, com apresentações quartas e quintas às 20h. Numa interpretação admirável, Lucília dá vida à Jandira, funcionária de um teatro em que desempenha as funções de faxineira, bilheteira e baleira, além de morar no local de trabalho. Um dia, quando o elenco da peça em cartaz fica preso em um engarrafamento, ela recebe uma atribuição a mais: segurar o público até a chegada dos atores. É assim que a funcionária, testemunha de inúmeras peças e habituada a subir no palco apenas para varrer, passa a ocupar a linha de frente para contar suas histórias e receber seus primeiros e, quem sabe, últimos aplausos.

A ideia para o espetáculo surgiu em 2017, durante o período em que Lucília se recuperava de uma fratura no pé. “Tinha um tempo enorme pra mim e comecei a revisitar minhas histórias infância, em Niterói, nos anos 1960”, lembra a atriz e autora. “O espetáculo fala da poética da comédia e da tragédia humana. É sobre essa personagem que mora nos fundos do teatro, mas que tem uma história de vida baseada nas minhas lembranças, nem sempre tão felizes. Uso o teatro como uma forma de teatralizar essas memórias, para tirá-las da esfera da realidade e transformá-las numa ficção, uma forma de não ficar só no trágico”, explica.

Nem toda vida daria um filme. Mas em “Não Peça”, a vida da funcionária Jandira, com certeza, acaba dando em uma peça. “Não existe ninguém como Jandira. Ela veio menina do barro seco de Cantochão direto para a caixa preta de um teatro, sem escalas. Analfabeta, aprendeu a ler com os textos do teatro. Seu universo não é mundano, disperso, superficial. Tudo pra ela é existencial. Jandira é a encarnação da visão de mundo de Lucília de Assis, transbordante de humor e poesia”, completa a diretora Bianca Byington.

Lucília de Assis e Bianca Byington se conheceram no teatro em 1982, na temporada de “Capitães da Areia”, e só em “Não peça” voltaram a trabalhar juntas. A elas, se juntou a produtora Maria Siman, um encontro feliz com antigos e novos parceiros que formam a pequena grande equipe fez brotar o espetáculo. A temporada tem o Apoio Institucional da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa/FUNARJ e da Casa de Cultura Laura Alvim – Fundação Anita Mantuano.

FICHA TÉCNICA

Texto e interpretação: Lucília de Assis. Direção: Bianca Byington. Direção de produção: Maria Siman.Assistente de direção: Pedro Pedruzzi. Figurino: Dora de Assis. Projeto gráfico e fotos: Alexandre Dacosta. Assistente de produção: Fernanda Silva. Realização: Lucília de Assis e Primeira Página Produções.

SERVIÇO

“Não peça”

Temporada: de 7 a 22 de agosto – quartas e quintas às 20h.

Local: Casa de Cultura Laura Alvim – Av. Vieira Souto 176, Ipanema. Tel.: 2332-2015.

Ingresso R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Classificação indicativa: Livre.

Lotação: 120 lugares. Gênero: comédia. Duração: 60 min.

DESTAQUES

“Aproveitando as frestas das rachaduras do terreno ressecado lá de casa, comecei a plantar uns capinzinhos gordura, uns matinhos brabo, umas praguinhas mimosinhas… e não é que nosso pedaço de chão ganhou qualidade??? Transformei o barro seco socado num oásis verdesejante! E eu nunca mais parei de fazer brotar. Planto nas frestas dessa vida de cimento, mas planto. A gente não acredita, mas se a gente plantar a vida brota pelas frestas” – trecho de “Não peça”.

“No espaço experimental da Casa Quintal faz-se uma “NÃO-PEÇA”. É o teatro como alegoria do país bem-humorado, ainda que cheio de dores, perdas e incertezas. O país-personagem vagando do real da alienação, ao impacto da sensibilidade de uma direção segura de Bianca Byington, a existência real ou fantasiosa de uma nova Cabíria, vivida delicadamente por Lucília de Assis. Da vendedora de balas e amendoins, a bilheteira e a atriz que se libera de ser uma espécie de incerteza humana. Ora, qual a razão de ser de um monólogo na “dança” emocional dos espectadores? O ser humano querendo ser mais do que é? Ou seja, como personagem é sim muitas coisas entre reminiscências e a história real de vidas cortadas pela pobreza de personagens que não aconteceram. Como atriz, a ousadia de suas intensidades no texto, nos movimentos corporais e na interpretação. A delicada direção se associa aos riscos dos longínquos discursos da personagem onde tudo pode ser verdade, como invenção do que é dito pela atriz que distrai os espectadores antes do início da peça “NÃO-PEÇA”. E num momento tão feio do nosso emporcalhado país, o humor como processo dialético de ainda nos sentirmos vivos! Bianca e Lucília trabalham o querer-viver além do teatro que imita a TV, e se torna pobre, velho e criminoso como a nossa atual política entreguista! A “NÃO-PEÇA” sensibiliza pela sua delicada generosidade na investigação de uma vida comum, ainda que fantasiosa da personagem. Essa compreensão é, sim, uma rica experiência para quem representa e para quem acompanha essa pequena/grande atriz cômica! Parabéns às MENINAS! – depoimento do cineasta Luiz Rosemberg Filho.


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