Premiado no Festival Biarritz de Amérique Latine, ”Edna”, de Eryk Rocha já soma quatro estatuetas em sua carreira

6 de outubro de 2021 Teatro, TV e Cinema
Premiado no Festival Biarritz de Amérique Latine, ”Edna”, de Eryk Rocha já soma quatro estatuetas em sua carreira

Nomeado como o Melhor Longa Metragem Documentário pelo Júri Jovem em sua estreia na França, filme traz história de guerrilheira através de poesia e reflexão

 “Um magnífico poema visual que confronta as forças políticas.”, crítica de CÉDRIC LÉPINE para o MediaPart (FR)

Trailer: https://youtu.be/PWjsgUjclDs

 

“Edna”, de Eryk Rocha (“Campo de Jogo”, “Transeunte”), recebeu mais um prêmio: Melhor Longa Metragem-Documentário pelo Júri Jovem no 30º Festival Biarritz Amérique Latine. Ovacionado pelo público, que encheu a sala em todas as sessões ao longo da última semana, é a segunda estatueta que o filme recebeu na Europa e quarta em sua carreira, que já soma participação e boas críticas em mais de 10 festivais pelos quatro cantos do mundo.

No ano em que completa 20 anos de audiovisual, Eryk só tem a celebrar com seu filme: “Ainda estou sob o impacto da estreia francesa de EDNA no Festival Biarritz. É muito emocionante ver o filme na tela em comunhão com público e sala lotada. Como diz um amigo: “O cinema sendo Cinema!. Nesse momento de ruínas e tragédia do nosso país, é um respiro levar a história de luta, poesia e resistência de Edna Rodrigues de Souza para o mundo. Viva EDNA e todas as criadoras e criadores que realizaram esse filme.”

O respeitado site de críticas de cultura e política MediaPart (França) apontou sobre EDNA: “Retrato de uma lutadora da Amazônia que ainda carrega em seu corpo a violência dos algozes impunes da ditadura brasileira a partir da leitura de seu diário em uma magnífica fotografia em preto e branco”. CÉDRIC LÉPINE também comentou: “Eryk Rocha com beleza e senso da sutileza da descrição política oferece um retrato de uma força estimulante de Edna Rodrigues de Souza e, por meio dela, de todas as mulheres que sofrem a opressão de uma sociedade patriarcal encarnada no agora no Brasil pelo fundamentalismo religioso e a opressão dos lobbies agroalimentares com o objetivo de destruir o meio ambiente amazônico e seus habitantes.”

No último mês, o longa foi nomeado em dois festivais: Prêmio Menção Honrosa do Júri – na 10ª Mostra Ecofalante (Brasil), e Prêmio de Melhor Direção – FICVIÑA – Festival Internacional de Cine de Viña del Mar (Chile). Além destes, também ganhou o Prêmio Menção Honrosa Especial no Pesaro Film Festival 2021 (Itália). O filme teve estreia nacional este ano no Festival É Tudo Verdade e mundial no Visions du Réel (Suíça).

Outro marco importante do filme foi a participação no renomado Telluride Film Festival, no Colorado – EUA, que habilita automaticamente o filme a se inscrever nas principais premiações estadunidenses, como o Cinema Eye Honors, Critics Choice Documentary Awards, IDA Docs e Film Independent Spirit Award. É a segunda vez que Eryk Rocha participa do festival em seus 20 anos de carreira.

“A estreia norte-americana de EDNA no Festival de Telluride foi muito bonita e emocionante. Havia participado do festival há 10 anos atrás mostrando “Transeunte”. E agora foi a primeira vez que assisti EDNA em tela grande em comunhão com o público. Por conta da pandemia não pude viajar nos festivais anteriores. E o filme ganha muito impacto e potência na tela grande na experiência coletiva/ emocional/ sensorial da sala de cinema. Houveram três sessões do filme com debates e sinto que o público ficou muito comovido com a história e vida de Edna. As pessoas também ficaram instigadas e puderam conectar Edna com o atual contexto político brasileiro”, diz o diretor.

Com olhar sensorial, poesia e política se fundem a partir do caderno de memórias e traduções de sentimentos “Histórias da Minha Vida” de Edna, a protagonista, que dá nome ao filme, carrega consigo a trajetória de luta e resistência pela terra, existência e dignidade humana. À beira da rodovia Transbrasiliana, vive essa mulher-memória guerrilheira que enfrentou a grilagem e aqueles que mandam nela na Guerra dos Perdidos (1976), inspirada pela grandiosa e devastadora Guerra do Araguaia (1967-1974). É por meio de sua prosa,  que costura lembranças e dores dessa tragédia histórica no Brasil que perdura até hoje como ferida aberta e realidade diária de destruição, extinção e descaso político.

“Desde o início ficamos muito impressionados e cativados pela presença, pela voz e força do relato de Edna. Filmei esse primeiro encontro com a câmera acomodada nas pernas trêmulas. Ouvimos comovidos Edna dizer coisas tão fortes e com tanta doçura, e ao mesmo tempo com tanta dor e sofrimento. Essa conversa aconteceu em sua casa na beira da estrada na rodovia Transbrasiliana a poucos quilômetros do município de São Geraldo do Araguaia, fronteira entre Pará e Tocantins.”, conta o diretor Eryk Rocha, vencedor da Palma de Ouro de não-ficção em Cannes com o filme “Cinema Novo”.

Com argumento de Gabriela Carneiro da Cunha, que se une ao diretor e Renato Vallone na construção do roteiro, Eryk ainda reflete sobre a personagem e sua história: “EDNA encarnava a terra, o corpo-terra, a luta pela terra. Imagem tão forte que permeia a história de sangue do Brasil. Ela trazia suas marcas, experiências que se entrelaçam com a tragédia histórica do Brasil que tão cruelmente tem a ver com o nosso presente. Presente de feridas abertas e questões cruciais que ainda não fomos capazes de resolver como povo. Nas palavras dela: “eu tenho medo, a guerra ainda não acabou”. Edna está certa, e o Brasil 2021 Bala-Boi-Bíblia é uma catástrofe.”

O filme é uma produção da Aruac Filmes com o apoio de Cinebrasil TV e Rumos Itaú Cultural.

 

Festivais que já aconteceram:

– Visions du Réel (Suíça) – Estreia Mundial em abril de 2021
– É Tudo Verdade – Estreia Brasileira
– Pesaro Film Festival 2021 (Itália) – Prêmio Menção Honrosa Especial
– La Semana del Documental – Doc Montevideo (Uruguai)
– 10ª Mostra Ecofalante (Brasil) – Prêmio Menção Honrosa do Júri
– Telluride Film Festival (EUA)
– Festival Goiamum Audiovisual (Brasil)
– Festival Cine Sul da Cinemateca do MAM-RJ  (Brasil)
– XI Festival Pachamama – Cinema de Fronteira
– FICVIÑA – Festival Internacional de Cine de Viña del Mar (Chile) (6 y 15 de Septiembre) – Prêmio de Melhor Direção
– Festival Biarritz Amérique Latine (França)  (27 set – 3 outubro) – Prêmio de Melhor Longa Metragem Documentário pelo Júri Jovem
– DMZ International Documentary Film Festival of South Korea (Coreia do Sul) (9-16 setembro)
– FICG Festival Internacional de Cine en Guadalajara in México (1-9 outubro)

 

Futuros festivais que já anunciaram seleção:

– Festival Biarritz Amérique Latine (França)  (27 set – 3 outubro)
– DMZ International Documentary Film Festival of South Korea (Coreia do Sul) (9-16 setembro)
– FICG Festival Internacional de Cine en Guadalajara in México (1-9 outubro)

 

Sobre o diretor

ERYK ROCHA cineasta nascido no Brasil em 1978, formou-se em 2002 na escola de cinema de Los Baños, Cuba, onde dirigiu seu primeiro longa: ROCHA QUE VOA. O filme foi selecionado em Veneza, Rotterdam e outros festivais, ganhando o prêmio de Melhor Filme no Brasil, Argentina e em Cuba. Os próximos trabalhos também coletaram presença prestigiosa em eventos nacionais e internacionais tais como Cannes, Sundance, Nova Iorque, Montevidéu, Guadalajara, Buenos Aires, Marseille e Amsterdam. CINEMA NOVO (2016), seu sétimo longa, recebeu o L?Oeil d?Or de Melhor Documentário no Festival de Cannes.

Em 2019, Eryk, a ficção BREVE MIRAGEM DE SOL, coprodução entre Brasil, França e Argentina, o filme estreou no BFI London e atualmente se encontra na plataforma de streaming Globoplay. O filme ganhou os prémios de Melhor Ator, Melhor Edição e Melhor Fotografia no Festival do Rio (2019) e o Prémio Silvestre para Melhor Longa Metragem no Festival Indie Lisboa (2020). Alguns de seus trabalhos foram adquiridos pelo MoMA e foram integrados à coleção permanente do museu.

EDNA

Documentário | 64? | BRASIL | 2021

Sinopse: Vivendo à beira da rodovia Transbrasiliana, na Amazônia brasileira, Edna é testemunha de uma terra em ruínas construída sobre massacres. Criada apenas pela mãe, ela vivencia em seu corpo e no de seus descendentes as marcas de uma guerra que, segundo ela, nunca acabou. Por meio de seus relatos e escritos, o filme constrói uma narrativa híbrida que se move entre a realidade e o imaginário. Tudo é tecido a partir da memória de Edna e seu diário intitulado “História da Minha Vida”. Uma vida de guerrilhas, desaparecimentos e desmatamentos, mas também a força das mulheres, rios e matas que insistem em sobreviver. Uma poeta transformada em olhos que apesar de verem não podem falar. Ela sonha sair dali para um lugar que não sabe aonde.

Ficha Técnica:

Direção ERYK ROCHA
Argumento Original GABRIELA CARNEIRO DA CUNHA
Produção ERYK ROCHA e GABRIELA CARNEIRO DA CUNHA
Elenco EDNA RODRIGUES DE SOUZA e ANTONIO MARIA CABRAL (CARLOS)
Roteiro GABRIELA CARNEIRO DA CUNHA, ERYK ROCHA e RENATO VALLONE
Pesquisa PAULO FONTELES FILHO, MARCELO ZELIC e GABRIELA CARNEIRO DA CUNHA
Direção de Fotografia e Câmera ERYK ROCHA e JORGE CHECHILE
Montagem RENATO VALLONE
Assistente de direção GABRIELA CARNEIRO DA CUNHA
Desenho de Som WALDIR XAVIER
Mixagem BERNARDO ADEODATO
Som Direto BRUNO CARNEIRO DA CUNHA
Cantos e Vozes GABRIELA CARNEIRO DA CUNHA
Trilha Sonora Original GUILHERME KASTRUP, MANOEL CORDEIRO e AVA ROCHA
Correção de cor e finalização de imagem ALICE ANDRADE DRUMMOND
Coordenação de pós-produção e masterização MATHEUS RUFINO
Produção Executiva ALVARINA SOUZA, YANA CHANG, JOELMA OLIVEIRA GONZAGA e LUCIANO SALIM
Produção de Set FERNANDA HAUCKE
Assistente de Produção e Motorista FRANCISCO ALMEIDA DE FARIAS
Coordenação de pós-produção MARGARIDA SERRANO
Cartaz JOÃO MARCOS DE ALMEIDA e MATHEUS ROCHA
Produção ARUAC FILMES
Produção Associada WALDIR XAVIER
Apoio ITAU CULTURAL e CINEBRASIL TV

 


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