Será que o meu pênis é normal?

30 de junho de 2014 Atualidades
Será que o meu pênis é normal?

Será que o meu pênis é normal?

Desde que o mundo é mundo, homens de todas as idades e especialmente os mais jovens e adolescentes, carregam no íntimo uma dúvida inquietante e atormentadora, aquela do “será que o dele é maior que o meu?”, ou ainda “será que o meu pênis é normal”?

Esse comportamento é acentuado nas grandes cidades, onde o acesso à informação e a descoberta da sexualidade são bombardeadas exaustivamente em todos os meios de comunicação em diferentes níveis e nem sempre da forma mais adequada; Em cidades do grande interior do Brasil, o sexo e suas variantes é algo encarado apenas como uma força da natureza, sem o apelo comercial que supostamente oferece soluções milagrosas para tudo e até pelo fato do assunto ser visto como tabu, raramente esse tema é objeto de conversa entre amigos. Cada um guarda para si, seus temores e suas dúvidas.

Com o advento da internet, o tema antes restrito a consultórios ou rapidamente pincelados em aulas de ciências nos colégios do país, o assunto passou a ganhar espaço nas redes sociais e quem tem conta de e-mail certamente já teve suas caixas inundadas com dúzias de inconvenientes e inoportunos anúncios de remédios e procedimentos que prometem aumentar o tamanho do pênis. Toda essa propaganda, enganosa, diga-se de passagem , só existe porque o pênis pequeno é um fantasma que assombra os homens brasileiros desde a puberdade.

Segundo levantamento realizado em 2009,utilizando dados do Disque Adolescente de São Paulo, cerca de 50% dos adolescentes estão insatisfeitos com o tamanho do pênis.

Esses dados podem ser ainda maiores se enquadrarmos nesse universo, homens adultos não inseridos nessa pesquisa. O serviço da Secretaria de Saúde responde a dúvidas sobre sexualidade e recebe ligações de jovens de todo o país, normalmente com idades entre 13 e 20 anos. A experiência cotidiana dos consultórios confirma o que a compilação de dados mostrou. Mas, na maioria dos casos, a preocupação dos jovens (ou de seus pais) não se sustenta após um simples exame clínico.

“Apenas 1% dos adolescentes que chegam ao consultório de urologia com dúvidas referentes ao tamanho do pênis têm, realmente, algum problema a ser diagnosticado. Em geral, são as disfunções hormonais que atrasam o desenvolvimento das características sexuais”, afirma Roni de Carvalho Fernandes, professor do Departamento de Urologia da Santa Casa de São Paulo e diretor da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) – Seccional São Paulo.

O hebiatra (médico especializado em adolescentes) Marcelo Nunes Iampolsky, professor da Faculdade de Medicina do ABC, diz que é muito comum surgirem dúvidas no início da puberdade, entre os nove e os 14 anos. Segundo o especialista, o primeiro sinal que demonstra a entrada do garoto nessa fase é o aumento do volume dos testículos.

O aumento peniano vem depois e, até que ele ocorra, o garoto pode ter a impressão de que o órgão está “encolhendo” quando, na verdade, são os testículos que estão crescendo. “Quem entrar na puberdade aos 14 anos, por exemplo, só vai notar o crescimento do pênisaos 16”, diz Iampolsky.

Muitas vezes, a preocupação com o tamanho do pênis decorre da comparação com amigos da mesma idade, que entraram na puberdade mais cedo. Assim, é comum que o menino que ainda não tenha desenvolvido os órgãos genitais seja alvo de brincadeiras dos colegas. Por isso, é importante que os pais tranquilizem o adolescente a respeito da individualidade do ritmo de crescimento. “Em geral, um adolescente saudável, com idade entre 15 e 17 anos, já terá atingido o tamanho de pênis que vai manter na fase adulta. Mas o desenvolvimento pode continuar até os 21 anos, mais ou menos”, afirma o urologista Fernandes.

Outro problema bastante comum é causado pela obesidade. Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada em 2006, 18% dos garotos entre 10 e 19 anos estão acima do peso. “No jovem obeso, há acúmulo de gordura no púbis e o pênis acaba ficando coberto. Chamamos de ‘pênis embutido’. O adolescente chega ao consultório achando que seu órgão é muito pequeno mas, assim que diminui a camada de gordura, ele aparece”, afirma Iampolsky.

De acordo com a psicóloga Camila Macedo Guastaferro, educadora responsável pelo SOSex, serviço de esclarecimento de dúvidas em sexualidade do Instituto Kaplan – Centro de Estudos da Sexualidade Humana, uma entidade privada, os pais também precisam ter atenção a mudanças de comportamento nessa fas.

“Ansiedade e vergonha de se trocar na frente dos amigos podem ser sinais de que o adolescente esteja incomodado com o seu corpo”, diz a psicóloga Camila. “Nesse momento, o pai pode ajudar, contando como foi para ele essa fase de transição, pois a genética é um dos fatores que mais interfere no desenvolvimento.” Se a questão persistir, ou se os adultos não conseguirem conversar abertamente sobre isso, o hebiatra ou o urologista deverá ser procurado para sanar as dúvidas e tranquilizar o jovem.

A busca por ajuda médica é muito menos frequente do que deveria. Segundo Eloísio Alexsandro da Silva, médico responsável pelo setor de Uropediatria e Uro-adolescentes do Hospital Universitário da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), apesar do descontentamento com o tamanho do pênis ser comum entre os adolescentes, apenas uma pequena parcela busca ajuda médica, por vergonha de partilhar o assunto com os pais.

Rose Villela, psicóloga pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenadora do curso Sexualidade Humana e Corpo em Movimento no Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo, afirma que essa fixação no tamanho do órgão genital é fruto do machismo de nossa cultura.

A especialista considera negativas as brincadeiras, geralmente feitas pela própria família, em relação ao assunto. Mesmo as elogiosas, que tendem a ressaltar o garoto como “bem dotado”. “Nossa cultura ensina que ser másculo é ter um carrão, muitas mulheres e, obviamente, um pênis grande. Com esse tipo de brincadeira vem uma série de imposições do masculino relacionadas ao poder, que vão moldando a criança em um padrão que não é o desejável.”

A MÉDIA BRASILEIRA

Heranças genéticas e étnicas são elementos que influenciam no tamanho do órgão genital masculino. Sobre o padrão brasileiro, ainda há poucos estudos. Segundo a SBU, considera-se normal qualquer tamanho entre quatro e dezoito centímetros, com o pênis em repouso, e de sete a vinte e sete centímetros, quando ereto, em homens adultos.

Para crianças e adolescentes, a tabela que se considera como referência nacional é a que resultou de uma pesquisa realizada em 2007 pelo urologista Eloísio Alexsandro da Silva e outros integrantes da equipe do Serviço de Urologia da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ. Os especialistas usaram uma medida do pênis em repouso para identificar o padrão médio em relação ao chamado micropênis, essa sim, uma alteração do padrão da normalidade, que requer acompanhamento médico. Na tabela relaciona-se um tamanho médio com a idade. Assim, aos 12, considera-se dentro do esperado que o garoto tenha um órgão com, em média, 8,6 centímetros e, aos 16, com 13,3 centímetros.

“Nossas pesquisas hoje em dia estão direcionadas ao transtorno de imagem corporal genital (dismorfia genital), ou seja, a ercepção irreal ou exagerada de pequenos defeitos do corpo, nesse caso, ligados ao tamanho do pênis”, diz Silva.

Um estudo realizado com 66 homens, entre 13 e 80 anos, todos com queixa de pênis pequeno, encontrou casos em que o paciente tinha o órgão com tamanho acima da média brasileira, que é de 14 centímetros com o pênis ereto, e identificou a necessidade de acompanhamento psicológico ou psicoterápico aos pacientes diagnosticados com dismorfia genital.

QUANDO IR AO MÉDICO

Desde os primeiros anos de vida, os pais devem acompanhar o desenvolvimento dos órgãos genitais da criança, levando-a a consultas médicas regulares. No caso dos meninos, é imprescindível observar, por exemplo, se há problema de fimose ou se os testículos estão corretamente instalados na bolsa escrotal.

O pediatra ou hebiatra tem condições de notar qualquer anomalia e encaminhar ao especialista, caso necessário. O urologista Roni Fernandes acha que o ideal é que, a exemplo do que ocorre com as meninas, ao chegar à puberdade, o menino também vá ao urologista.

Nessa fase, a consulta médica também é importante para a orientação sobre doenças sexualmente transmissíveis e cuidados gerais com a saúde. O hebiatra Marcelo Nunes alerta que, além das disfunções hormonais –a principal causa dos problemas relacionados ao pênis pequeno–, o uso de esteroides anabolizantes, para ganho de massa muscular, também pode interferir no desenvolvimento dos órgãos genitais. “Os anabolizantes atrofiam os testículos”, afirma.

Por fim, é bom ter em mente que não existe exercício ou remédio milagroso para aumentar o pênis.

Um adolescente diagnosticado com micropênis por problemas hormonais pode ter sua disfunção tratada e retomar o seu desenvolvimento normal. Porém, para adultos saudáveis que queiram, simplesmente, ganhar uns centímetros, as notícias não são promissoras. A SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) não reconhece a validade de nenhum procedimento para alongamento do pênis. Alguns dos que são anunciados na internet podem até mutilar o orgão.

Aos nossos jovens leitores recomendamos que busquem conhecer e reconhecer o seu pênis como parte de um conjunto humano que os torna diferentes e iguais ao mesmo tempo, porque num relacionamento afetivo ou sexual, seu pênis não é parte isolada do seu corpo;

Então, valorize sua capacidade de sorrir, de conquistar, de se envolver afetivamente com outra pessoa, pois é a qualidade de um relacionamento que o fará grandioso em todos os aspectos; uma vez que sentimentos não são comandados por um pênis maior ou menor.

Seja qual for o seu caso, não se desespere se achar que o seu pênis é pequeno, nem se vanglorie por acreditar que ele é exageradamente grande; O mundo tem lugar para todos e é isso que nos torna tão interessantes!

E lembre-se: em caso de dúvidas , consulte um médico, pois uma ajuda profissional eficiente pode ajuda-lo a entender, compreender e vencer seus medos e angústias.

Não se preocupe com o tamanho do seu bilau…se preocupe apenas em ser feliz e em fazer feliz a pessoa que te escolheu para dividir e compartilhar um momento íntimo contigo.

PARA TIRAR DÚVIDAS SOBRE SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA

Disque Adolescente: (11) 3819-2022; de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 11h às 14h.

SOSex do Instituto Kaplan:

E-mail: sosex@kaplan.org.br;

Skype: sosex.kaplan

Facebook: www.facebook.com/sosexkaplan


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